O nascimento de um filho é o ápice na vida dos pais. Um pedaço de nós pulsando fora do nosso corpo. Com a chegada dos pequenos a vida muda por completo e apesar das dificuldades no processo de adaptação, ela torna-se muito mais colorida e fascinante. Mas educar uma criança para vida é o grande desafio do ser humano. Não é algo fácil. Geralmente buscamos sempre fazer o melhor com base naquilo que aprendemos com nossas próprias experiências de vida, princípios e valores.
No entanto, no processo de educar, muitos pais equivocadamente reproduzem a rigidez que receberam na sua educação, se tornando pais autoritários. Já outros vão para o caminho inverso, se tornando pais permissivos, não estabelecendo os limites necessários para um desenvolvimento saudável. Mas como tudo na vida o ideal é o caminho do meio: o equilíbrio. Uma educação consciente busca aliar o afeto com o diálogo, respeito e firmeza; auxiliando a criança para que ela possa se reconhecer e expressar suas emoções de uma forma saudável.
Mas vivemos um período complexo, muitos pais desconectados dessa sublime missão de educar, terceirizam a educação dos seus filhos, seja à escola, aos avós, aos cuidadores, a familiares, a sociedade... não se comprometendo com o seu dever. O pouco tempo que possuem disponível, se utilizam da tecnologia para entreter seus filhos. Esse uso excessivo faz com que essas crianças cresçam desconectadas de si e do mundo a sua volta. Por disponibilizarem pouco tempo aos filhos, muitos pais são tomados pela culpa. E para compensar essa ausência, pela culpa que sentem: não negam nada, compram tudo e fazem tudo por eles, não deixando eles se desenvolverem e fazerem por si mesmo.
Crianças que nunca são frustradas, pois esses pais, psicologicamente fragilizados, acreditam que a frustração seja algo ruim, por isso evitam desesperadamente fazê-los sofrer. Grande erro! A frustração não faz parte da vida? Como essa criança enfrentará os reveses, que a vida certamente trará no futuro, sendo que nunca foi treinada pelos pais a esse enfrentamento? Infelizmente, por uma incapacidade emocional, esses pais boicotaram o desenvolvimento dessa criança e muito provavelmente precisará ela de algo externo para preencher essas lacunas emocionais.
Portanto, o limite é proteção, cuidado, zelo. É sinônimo de amor. Assim os pais passam a mensagem: “Eu me importo contigo”. Pois eu só protejo aquilo que tem valor.
Uma educação consciente faz com que a criança perceba que o “não” faz parte da vida e com isso ela percebe que o mundo não gira ao seu redor, crescendo assim menos egocêntrica e com isso vive melhor em sociedade.
Nas nossas relações precisamos construir familiaridade que nada mais é que laços de afeto. Menos tecnologia e mais contato humano. O que fica gravado na memória infantil não são os presentes recebidos, mas os momentos vivenciados: a presença. Que possamos construir conexões com nossos filhos. A vida passa, e o que nunca nos arrependeremos é do tempo que dedicamos a eles. Esses momentos são eternos.
“Vossos filhos não são vossos filhos, são as ânsias da vida por si mesmo, vem através de vós mas não vos pertence.” Kalil Gibran
Psicólogo Juliano G. Cechinel