Muitos estão festejando o acordo comercial firmado entre a União Europeia e o Mercosul anunciada durante a última reunião dos 20 países mais ricos (G20) que aconteceu em Tóquio, Japão. Mas afinal, quais impactos esse acordo poderá trazer para os brasileiros, especialmente os agricultores?
Primeiro é necessário dizer que por enquanto, nada muda até termos esse acordo ratificado pelo parlamento em cada país membro dos dois blocos. Lembrando que no Mercosul são 4 países (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e na União Europeia são 28 países. Imagina-se que essa assinatura possa demorar uns 2 anos, dada a complexidade de tudo que envolve no acordo. E olha que já se passaram 20 anos de negociação.
Acordos comerciais são feitos para facilitar a entrada e saída de produtos de cada país, principalmente, com redução tarifária. Se hoje, por exemplo, se importa um carro com imposto de importação de 35%, esse mesmo carro poderá ter seu imposto reduzido ou até eliminado pelo fato do país produtor fazer parte do acordo.
Impactos para a agricultura brasileira, basicamente ficará com a possibilidade de aumento da exportação de commodities. Assim, o setor de carnes, açúcar, mel e o complexo milho/soja serão os maiores beneficiados. O arroz também está listado, mas em volume insignificante no meu ponto de vista, apenas 60 mil toneladas por ano. Se o acordo foi discutido ao longo de 20 anos, é porque tem uma complexidade muito maior que a explicação acima e que não cabe nesse pequeno artigo.
Penso, que após a ratificação do parlamento em cada país membro, pouco perceberemos de impacto positivo na agricultura. No entanto, nos demais setores, haverá grande mudança, ora positiva com aumento de empregos, ora negativa com perdas de emprego. Torcemos muito para que no final, todos saiam ganhando, pois um bom acordo é sempre aquele em que os dois lados ganham. Porém, a experiência com o Mercosul no que diz respeito ao arroz, estamos percebendo que os nossos agricultores estão em desvantagem
Por Reginaldo Ghelere