Moradores do bairro Brasília, em Criciúma, estão indignados com o descaso da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan). Há três anos eles convivem com mau cheiro produzido por uma estação elevatória de esgoto, que em dias de forte chuva transborda para a rua ou para o rio Linha Anta.
O pedreiro José Carlos Vieira Calegari, 57 anos, explica que a comunidade sempre foi contrária à obra e questiona a falta de solução para o problema. “Esse problema faz mais ou menos três anos que está acontecendo e não teve nenhuma providência até hoje. Quando chove, está estourando para fora e quando não estoura está jogando para o rio. Não existia nada aqui. E a partir do momento que foi feito isso, está havendo problema. Na verdade, botaram um esgoto na nossa cara”, reclama.
Quando a chuva cessa, o sol e o calor se encarregam de aumentar o transtorno. “Aí vem o mau cheiro. Fica aquela lama de dejeto. Ou a Casan ou a Prefeitura, um dos dois vai ter que solucionar”, afirma Calegari, que mora há 30 anos no local.
Márcio Vieira Calegari, 56 anos, explica que durante a instalação da estação de esgoto houve diversos questionamentos da comunidade, porém a Casan sempre defendeu que não haveria mau cheiro no local. “Eles deram certeza que ia funcionar normal, que não ia ter cheiro nenhum. Era simplesmente um depósito aqui que ia bombear para a estação de tratamento. Então os vizinhos sempre questionaram isso aqui. E o que está acontecendo ultimamente não é isso. A cada chuva que dá, estoura tudo para fora, o esgoto enche de água, as bocas estouram tudo e fica tudo na estrada”, reclama.
Estão jogando esgoto no rio. Até temos imagens saindo para o rio. Ninguém aguenta a catinga. No dia do Natal foi feito um almoço aqui, passei até vergonha com a família. Estava um cheiro que ninguém suportava. Então daí quando chove, que enche tudo, sai pela estrada, esgota tudo. Você imagina no outro dia quando sai o sol e esquenta. Quem é que aguenta isso?
Irregularidades
Márcio Vieira Calegari mora há 35 anos no bairro. Ele afirma que os moradores estão motivados a denunciar o problema no Ministério Público (MP) caso a companhia não tome providências. Entre as justificativas da Casan, Vieira explica que estão irregularidades na rede pluvial, ou seja, existem imóveis onde a água da chuva escorre diretamente para a rede de esgoto.
“Foi levantada essa tese aí, que tem pessoas que fizeram a ligação pluvial na rede de esgoto. Essa rede pluvial está enchendo, daí a rede de esgoto não está suportando a quantidade de água. Mas se é isso aí, você tem que tomar uma providência rápido, não pode ficar esperando. Tem que fiscalizar e resolver. Um órgão empurra para o outro e nós ficamos nessa situação aqui”, lamenta.
Promessas não cumpridas
Quem também está descontente com o tratamento da Casan é o professor Fábio Luiz da Rosa, 55 anos. Ele mora aos fundos da estação de esgoto e lamenta o mau cheiro e a poluição do rio. “Está horrível. No 1° do ano eu reuni a família para fazer um churrasquinho e o cheiro estava insuportável. Quando foi pra fazer, eles foram lá em casa e disseram que não ia ter problema nenhum, que a água não ia contaminar o rio, que era pra limpar o rio, e agora estão jogando essa nojeira tudo ali dentro”, afirma.
Procurada pela reportagem, a Casan preferiu se manifestar por meio de nota, afirmando que uma equipe foi enviada ao local para fazer a limpeza da estação elevatória de esgoto. E que também vai realizar testes de fumaça para identificar pontos de infiltração de água da chuva. Sobre o esgoto despejado em rio, a companhia disse que a acusação "não é verdade".
Fonte: Engeplus