• Sábado, 06 de Março de 2021
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O santo é de barro, devagar com o andor!

De acordo com o Dicionário de Língua Portuguesa, a palavra “viabilizar” constitui-se num verbo transitivo direto que significa “tornar viável, realizável, exequível”.

Foi justamente este o termo utilizado durante a campanha eleitoral no material de divulgação das propostas dos então candidatos a prefeito e vice, respectivamente, Cesar Cesa (MDB) e Tano Costa (PSD). Isto porque, ao anunciar suas propostas para o setor do turismo, ficou ressaltado o compromisso em “viabilizar a volta ao acesso da Barra do Rio Araranguá, seguindo todas as normas ambientais para promover segurança e qualidade no transporte para moradores e turistas que visitam a cidade...”

Ora, o novo governo municipal assumiu suas funções há 26 dias, tempo insuficiente para desenvolver um projeto de tamanha relevância e complexidade. Nos últimos dias ocorreram intensos debates nas redes sociais depois que “profetas do acontecido” precipitaram-se ao divulgar que está sendo trabalhada a estruturação do local. Esta iniciativa, estaria associada ao objetivo de resguardar a preservação ambiental, possibilitando, em consequência disso, o acesso ao público à Barra do Rio Araranguá, desde que pagando taxa.

As revelações - que poderiam (e deveriam) ser primeiramente planejadas e discutidas internamente - não repercutiram bem. Além da ineficaz estratégia de comunicação, o momento das declarações públicas foi, no mínimo, inoportuno, pois decididamente não será do dia para noite que este antigo imbróglio será resolvido, sob pena de repetir equívocos passados! O dilema é histórico, engloba estas e outras administrações municipais. Basta lembrar que, há aproximadamente seis anos, o Ministério Público Federal de Santa Catarina (MPF/SC) obteve liminar do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) que impede o acesso de veículos a dunas e praias de Araranguá.

De lá para cá, pouca coisa mudou! Na época da publicação da referida liminar, o procurador regional da República Paulo Gilberto Cogo Leivas, destacou que, “o objetivo da medida era evitar dano irreparável ou de difícil reparação às dunas, à vegetação que as fixam e às falésias existentes na região. Também se buscava reduzir o risco de acidentes e atropelamentos no período de veraneio, quando o número de pessoas circulando aumenta consideravelmente”.

No mesmo documento, consta que, na prática, o município deveria adotar uma série de medidas, que demandam tempo, critério e investimento. Veja as ações reivindicadas naquela ocasião pelo Ministério Público Federal:

- Sinalizar e colocar obstáculos físicos (mourões de concreto, cancelas ou outros meios comprovadamente eficazes) nos acessos atualmente existentes às praias;

- Implantar controle efetivo de veículos que podem circular na faixa de praia, franqueando o acesso apenas aos carros oficiais e a viaturas necessárias a limpeza, segurança e policiamento;

- Vedar o estacionamento de veículos na faixa de praia e nas demais áreas de preservação permanente (dunas e restingas), com a respectiva fiscalização;

- Vedar a circulação de quaisquer veículos automotores sobre dunas, com a respectiva fiscalização;

- Cooperar com a Polícia Militar na fiscalização de infrações de trânsito verificadas na orla marítima.

Ou seja, o desejo de apresentar trabalho a população, é perfeitamente compreensível neste início de administração. Isso, entretanto, não pode ser feito de maneira precipitada, sob pena de gerar consequências como discussões inúteis e mal entendidos, além de transformar ações positivas em verdadeiras dores de cabeça.

Enfim, às vezes é preciso adotar doses homeopáticas de paciência e sabedoria, inspirando-se no antigo e eficiente jargão popular preconizando que: “O santo é de barro, devagar com o andor!”

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