Uma das grandes preocupações relacionadas à pandemia causada pelo coronavírus, tão debatida quanto a importância da prevenção, diz respeito aos impactos econômicos decorrentes de medidas de contenção das taxas de contaminação, sendo a quarentena e o fechamento temporário de diversas atividades além das essenciais exemplos mais evidentes. Com isso, autoridades debatem constantemente a necessidade de afrouxamento de tais medidas para evitar colapsos, elevação das taxas de desemprego e por aí vai. Entretanto, preservar vidas tem um preço? Segundo estudo, sim. Cerca de 5,2 trilhões de dólares.
Essa é a estimativa de pesquisadores ingleses publicada no Journal of Benefit-Cost Analysis, da Universidade de Cambridge. De acordo com o artigo, os resultados financeiros de fechar o comércio, quando comparados a uma situação “normal”, são realmente desastrosos, mas isso muda de figura em um cenário pandêmico. Afinal, o cenário ideal não existe mais, sendo necessário lidar com as consequências da realidade em questão.
Logo, é preciso entender que, neste momento, o cálculo considera quanto custa restringir a circulação e quais seriam os resultados de não aderir à ação, expondo a população à covid-19.
E quanto vale preservar a vida?
Considerando que as medidas de distanciamento consigam preservar cerca de 1,24 milhão de vidas em uma média de 38% de eficácia na ausência de contato, os valores são convertidos em US$ 12,4 trilhões. Se a previsão do grupo financeiro Goldman Sachs for acertada, o PIB dos Estados Unidos, por exemplo, encolherá 6,2% com as medidas, representando perda total de cerca de US$ 13,7 trilhões.
Assim, o cenário do isolamento deve ser comparado ao cenário de não isolamento. Nas estimativas da mesma empresa, manter as atividades normalmente pode retrair a economia do país em números que variam de 1,5% a 8,4%. Os pesquisadores, então, sugeriram 2% de retração. A partir disso, o impacto econômico seria menor, chegando a US$ 6,49 trilhões – menos da metade das perdas com isolamento. Portanto, nestes cenários, o custo do distanciamento social é de US$ 7,21 trilhões.
Exemplificando com valores em trilhões de dólares:
-13,7 (previsão de perda com isolamento) – 6,49 (previsão de perda sem isolamento) = 7,21 (custo do isolamento)
-12,4 (Valor da Vida) – 7,21 (custo do isolamento) = 5,19 (preço das vidas salvas)
Ou seja, nesses exemplos, a preservação da vida custa, em média, quase US$ 5,2 trilhões. O benefício da vida, portanto tem um preço – que, lembrando, pode ser recuperado por 1,2 milhão de pessoas salvas.
Tudo muda o tempo todo
Claro que tudo isso é apenas uma suposição e que todos os valores apresentados podem ser alterados, tanto o Valor da Vida aplicado quanto a retração da economia. A taxa de efetividade do distanciamento social aliada ao grau de mortalidade do coronavírus podem trazer cenários completamente diferentes.
Um modelo publicado pelo Imperial College London, por exemplo, indica que o número de mortos nos EUA sem qualquer medida poderia chegar a 2,2 milhões. Os impactos econômicos seriam incalculáveis. Entretanto, no dia 26/04, as fatalidades chegaram a “apenas” 50 mil. Se em agosto não passarem de 60 mil, seriam 2,14 milhões de vidas salvas – quase o dobro do estudo. No pior cenário, com 124 mil mortes, o isolamento social, ainda assim, salvaria 1,24 milhão de pessoas.
Apesar das variáveis, universidades americanas chegaram a um consenso: o reinício da economia deve acontecer apenas com um grande aumento na capacidade de testes e um plano bem formado para controlar novos surtos. Aí, os sobreviventes podem continuar lutando para retomar a economia o quanto antes.
Fonte: Tecmundo