Estrutura está interditada desde março. Enquanto isso alunos tem aula em espaço improvisado
Desde o dia 8 de março de 2019 a Escola de Educação Básica Municipal Otávio Manoel Anastácio, no bairro Jardim Cibele, em Araranguá, está interditada. Isso porque, a estrutura superior estava prestes a cair. Enquanto isso, os 433 alunos da pré-escola ao 9º ano, estão tendo aulas em uma estrutura improvisada, onde antigamente funcionava um supermercado, no bairro Mato Alto.
Para chegar ao local, as crianças e adolescentes são transportadas de ônibus. Diariamente, são três viagens pela manhã, três no período do meio-dia e três ao fim da tarde. “Em média, são R$ 800 por dia. Quando o mês tem cinco semanas, o valor de despesa com a empresa de ônibus fica em torno de R$ 20 mil. E quando tem quatro, são R$ 16 mil”, revelou o diretor da escola, Manoel Soares, o Neco. Além disso, o aluguel do espaço que abriga atualmente as crianças custa mensalmente R$ 12 mil, fora R$ 8 mil que foram gastos com a reforma e alterações da estrutura.

São três meses desde a mudança. Só no último mês foram R$ 30 mil de despesas. Até o momento não foi apresentado o projeto de reforma da estrutura original, que foi interditada pelo Corpo de Bombeiros.
Uma comissão foi formada por pais, professores, funcionários e direção para tratar da reforma e três reuniões com o prefeito foram realizadas. “Convocamos as reuniões para saber como anda o projeto que, até o momento, não chegou em nossas mãos”, comunicou Neco. Ainda não há previsão de quanto custará a obra ou quando ficará pronta. “Hoje, a gente não encontra nenhum pavilhão ou prédio desativado, que tenha características de escola e possa suportar alunos. Este local até foi adaptado para ter característica de escola, mas é impossível”, comentou.
Segundo Neco, a Prefeitura contratou um engenheiro mecânico e um engenheiro eletricista para a obra. “O que até agora não apareceu foi um engenheiro civil. A Prefeitura até tem um, mas ele sozinho não consegue dar conta de todas as obras que tem na cidade. Falta então, esse profissional, depois são mais 45 dias para a licitação, depois é que deve começar a obra. Estou com a expectativa de que lá para agosto se inicie a reforma, para que em dezembro fique pronto”.

Diferença no comportamento
Neco explicou que os alunos da Escola Otávio Manoel Anastácio sempre estiveram entre os melhores da rede pública, tanto estadual quanto municipal. “Sempre estivemos como a terceira melhor escola do município. Então, temos medo de perder essa característica por conta dessa situação”, lamentou.
O diretor disse que tem medo de que haja uma queda no rendimento dos alunos. Ele revelou, inclusive, que notou diferença no comportamento por parte destes. “É visível um estresse muito grande entre eles. Os alunos, principalmente os das séries finais, não conseguem ter concentração adequada em dias de provas por conta do barulho”.

Um problema de anos...
O problema com a estrutura original, no bairro Jardim Cibele, não é novidade e se arrasta há anos. “A estrutura superior é complicada por causa da quantidade de água que caí no espaço da escola. O tamanho e altura das calhas é insuficiente, onde há vasão da água da chuva. Acabou apodrecendo tudo”, contou Neco. Segundo ele, a escola foi construída há aproximadamente 18 anos e nunca passou por uma reforma. “Nem sequer pintura externa. Ela teve a pintura de inauguração e depois nunca foi pintada pelo lado externo”, revelou. Neco disse ainda que a parte interna foi pintada três vezes com dinheiro dos funcionários.
A escola muitas vezes foi alagada pela água das chuvas. “Algumas vezes tínhamos que tirar os alunos no colo. A água corria pelos corredores. Não eram simples goteiras. Era água corrente”, contou o diretor.

Órgãos
O Corpo de Bombeiros, a Defesa Civil e a Secretaria de Obras estiveram no espaço antigo. “Após as manifestações dos pais, dois vereadores também visitaram a escola: o Jair Arcênego Anastácio e o Igor Batista Gomes. Nem a Comissão de Educação da Câmara de Vereadores visitou a escola e sempre pedi que eles fossem visitar. O único órgão que nos visitou nesse novo espaço e ficou indignado foi a OAB”, disse.
Ainda sem previsão, mas já trabalhando...
A secretária de Educação Cultura e Esportes de Araranguá, Ariane Almeida, garantiu que um engenheiro está fazendo o projeto para restauração do antigo imóvel e que já está quase pronto. Ela explicou que o projeto sofreu algumas alterações e, por conta disso, houve um atraso para a entrega.
“Assim que o engenheiro terminar o projeto, vamos chamar a Comissão de Pais e Professores responsável pala reforma e vamos apresenta-lo. Após isso, vamos licitar a empresa para realizar a obra”, disse.
Segundo Ariane, ainda não há previsão para que os alunos voltem a antiga escola. “Obras sempre demoram e está será feita no inverno, que já é uma estação mais complicada por conta das chuvas. Então, não posso passar previsão. Mas garanto que estamos trabalhando para que seja o mais breve possível”, esclareceu.
A secretária falou ainda que antes de transferir os alunos, a escola foi consultada sobre o atual local. “Sabemos que temos que ter a mudança o mais breve, porém o local escolhido foi o mais próximo da comunidade e que uma escola grande, o Maria Garcia Pessi, utilizou por quatro anos. Além disso, fizemos todas as adequações que os profissionais da unidade escolar nos solicitaram”, explicou.

Texto: Clara Floriano
Fotos: Jomara Dessuy