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Mês do orgulho LGBT+: Entenda a cultura Drag Queen

Neste mês de orgulho LGBT+, vale lembrar e rever (ou assistir pela primeira vez) o documentário Paris Is Burning. Lançado em 1991, é um documentário clássico sobre a cultura drag queen que fervilhava nos clubes underground norte-americanos a partir dos anos 1950.

Se você caiu aqui de paraquedas, as Drags são personas criadas por artistas performáticos que se travestem. É um nicho de arte.

RuPaul’s Drag Race, o programa de shows de talento da Netflix se estabelece como um dos maiores fenômenos LGBTs da cultura pop contemporânea, comandado por RuPaul, a mãe da nova geração de drag queens, desde que estrelou uma campanha cosmética da MAC, trouxe visibilidade para toda a cultura Drag, como no Brasil vemos o fenômeno Pablo Vittar.

O sucesso da corrida das drag é um reflexo do tempo que vivemos, onde cada vez mais se busca a liberdade de expressão. Desde a virada do milênio tornou-se um pouco mais comum ver personagens ou programas LGBTs por aí, e é interessante como o próprio RuPaul’s Drag Race se estabeleceu bem no mercado de entretenimento, dentro de um nicho tão marginalizado.

Paris is Burning é considerado um documentário necessário ao mostrar uma comunidade resiliente, criativa e inspiradora, para entender o fenômeno das Drag’s que vemos hoje. Ele iniciou na sua época de lançamento debates acalorados sobre privilégio e preconceito. Trás temas relevantes como a homofobia, transfobia, racismo, pobreza e Aids, porque nem tudo é lacração, e se para a cultura Drag e/ou LGBT chegar até aqui, os percursores do movimento sofreram muito.

É um retrato de uma cena, de uma comunidade em um período e em um bairro específico, mas que até hoje ressoa e faz sentido para milhares de pessoas ao redor do mundo. É criatividade pura que sai da escassez de uma cena underground, que eu, como pensadora e questionadora da moda, observo como foi transgressor todo o seu processo de aceitação. No qual, vimos hoje, ainda não ser tão bem aceito ou entendido assim como expressão e arte pelo conservadorismo.

Vimos no documentário também, toda a performance, humor e ironia que amamos nas drags. Portanto, se você se interessa pelo universo, não deixe de assistir esse documentário que é ainda, 30 anos mais tarde de seu lançamento, necessário e inspirador. Foi um dos primeiros grandes sucessos da Miramax, sendo premiado em Sundance e eleito um dos melhores filmes do ano pelo The Los Angeles Times, Times Magazine e The Washington Post, além de definido pela edição comemorativa de 40 anos da New York Magazine, de 2008, como uma das obras nova-iorquinas mais influentes surgidas nas quatro décadas da revista. A obra ainda ganhou uma legião de fãs, seja pelo valor narrativo, seja pelo valor histórico. Quase foi indicado ao Oscar à época (diz-se que não foi pelo preconceito com o tema gay daqueles anos). Você encontra o documentário no Youtube ou na Netflix.

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