Primeiramente, respeita as mina, as mana, as mona.
“A sociedade dominante no Brasil acomodou-se de forma relutante e desigual à expansão de territórios homossexuais durante as festas carnavalescas. A reação das autoridades e do público tem oscilado entre a aceitação e a repressão, entre a curiosidade e a repulsa.” O trecho de James Naylor Green, historiador especializado em estudos latino-americanos, brasilianista e ativista dos direitos LGBT, extraído da obra “Além do carnaval: a homossexualidade masculina no Brasil do século XX” foi publicado em 1999, mas é tão atual.
Enquanto o Brasil é atualmente, o país que mais mata LGBT no mundo, a resistência vem cada vez mais surgindo força. E isso se aplica também ao feminicídio/feminismo, onde o Brasil se encontra no ranking respectivamente, em 5º lugar.
Apaixonada por estética e referências imagéticas, estudante de assuntos transversais, enquanto criava minha playlist de carnaval no spotify resolvi trazer a analogia.
Em um âmbito musical é perceptível à postura e as letras da maioria esmagadora de artistas/músicas que fazem sucesso no carnaval efetivando apologia ao assédio. Por isso, compartilho a minha seleção (segue o link https://spoti.fi/2tEVVXp ) que trás todo um empoderamento através de músicas e artistas contemporâneos que fazem jus às suas melodias.
Em um contexto fashion/lifestyle vou deixar registrado por que seguir alguns desses sons.
Clau

Empresariada pelo fenômeno Anitta, transborda personalidade e tem Anna Boogie como stylist, conhecida por também ser responsável pelo visual irreverente da artista Karol Conká.
Karol Conká

Dona de composições empoderadas, trata temas considerados tabu de forma singular. As imagens são do último disco que teve a beleza assinada por Alma Negrot, beauty artist e diretor de arte com um olhar único que também merece ser mencionado.
Aretuza Lovi

A drag queen brasileira com os melhores figurinos que conheço, vale conferir o feat com a Iza no clipe de “Movimento”.
Gloria Groove

A rainha dos feat, desde Lexa, a Iza e Leo Santana, ela participa de músicas com o rolê todo, se destaca por ser uma compositora rapper no meio drag. É dela o hit do carnaval 19 “Coisa Boa”.
Anitta

Que tiro foi o figurino de “Bola Rebola”? Toma suas referências ao filme Cidade Baixa e é adequado ao contexto funk seguindo uma linha artesanal de forma majestosa. Devo admitir que em relação ao clipe senti falta de homens participando do tal bola rebola de forma não binária e igualitária, além de apenas mulheres ‘’mexendo a raba’’. Já em “Terremoto’’, você reparou que o clipe é completamente inspirado no clássico dos anos 2000 “I’m Still In Love With You” do Sean Paul? A estética 00s está de volta também nos desfiles internacionais.
Iza

Mulher negra militante, vem estourando na cena pop brasileira e com mérito. Atualmente a cantora e compositora relançou junto de Caetano Veloso uma nova versão de ‘’Divino Maravilhoso’’, música que foi lançada em um contexto pós ditadura militar e que é relevante ainda hoje.
Pepita

Funkeira e travesti, é importante acompanha-la para entender sobre a desmistificação da travesti na sociedade, ela aborda sobre de forma didática, informal e divertida.
Enquanto você curte os hits se liga no manual de consciência abaixo que a Ahlma.cc criou e bom carnaval!