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O Oscar da moda: Entenda o que é o Met Gala e o tema Camp da edição 2019

O Baile do Met, ou Met Gala, acontece tradicionalmente em toda primeira segunda-feira do mês de maio. O evento que oficialmente se chama “Metropolitan Museum of Art Costume Institute Benefit” ou, em português, “Evento Beneficente do Instituto de Vestuário do Museu de Arte Metropolitan” tem como objetivo levantar fundos para o mesmo.

Organizado pela Anna Wintour, editora chefe da Vogue (é a Miranda Priesley do filme o Diabo Veste Prada), recebe um time de celebridades convidadas para celebrar o que é conhecido como o “Oscar da Moda”.

O tema desta edição é "Camp: Notes on Fashion (Camp: notas sobre a moda, em tradução livre), inspirado pelo ensaio que a escritora e filósofa americana Susan Sontag escreveu em 1964 – o artigo a estabeleceu como uma importante crítica cultural. A exposição visa “explorar as origens da estética camp e como ela evoluiu de um lugar de marginalidade para se tornar uma influência importante na cultura dominante”, diz Andrew Bolton, curador do Costume Institute.

Vamos aos por menores para entender o conceito do Baile, afinal, o que é Camp? Engana-se quem diz que é “ser e vestir-se de forma extravagante e excêntrica”. A palavra é ampla, tem muitas interpretações e não é fácil de ser explicada de uma maneira clara, uma vez que está mais ligada a uma sensibilidade e a um estado de espírito.

Camp “é a liberdade de ser como você quiser”, disse nessa segunda-feira, 6, o estilista da Gucci, Alessandro Michele, na apresentação da exposição para imprensa. É o resultado “da própria expressão e criatividade”. O camp não critica, ele aprecia, o bizarro e ao que foge dos padrões com uma irônia majestosa. Aos entendedores de arte, Sontag exemplifica o Camp no seu texto, ele está: no balé “O Lago dos Cisnes”, no pintor Caravaggio, na “chinoiserie” – a imitação ou evocação de estilos chineses na arte ou na arquitetura ocidentais – e em todo o movimento Art Nouveau.

O Camp virou símbolo de uma atitude mais liberal em relação a sexualidade, política e sociedade nos anos 60. Mas seu ensaio na época, causou indignação. “Como a pílula anticoncepcional ameaçava a supremacia masculina e o movimento negro dos direitos civis ameaçava a supremacia branca, Notas sobre Camp era uma ameaça à supremacia heterossexual e fazia parte de um movimento mais amplo para derrubar hierarquias estabelecidas”, relatou o escritor Benjamin Moser, autor do artigo Sontag: her Life and Work, que em tradução livre, relata a vida e trabalho da autora.

No Brasil, em um ensaio para o Suplemento Pernambuco, publicado na edição de janeiro de 2019, o jornalista e professor da Universidade Federal de Pernambuco Thiago Soares escreveu que, “numa época profundamente autorreferente, performática, repleta de simulações e teatralizações através do que se chama de vida midiática nas redes sociais, o camp volta a fazer sentido”.

À Vogue, o curador do Costume Institute Andrew Bolton afirmou que o ensaio de Sontag é oportuno para o momento cultural e político atual. Ouso dizer, que politicamente, ainda remetente aos equívocos apresentada na década de 60.

“Pareceu muito relevante para a discussão cultural olhar para aquilo que é com frequência descartado como frivolidade vazia, mas que pode, na verdade, ser uma ferramenta política sofisticada e poderosa, sobretudo para culturas marginalizadas”, disse Bolton, o que na moda, me dirige à frequente discussão que temos aqui nas minhas colunas, como uma roupa que é descartada como frivolidade vazia, desencadeando o ciclo de compra já citado anteriormente (Procura o texto sobre o Fashion Revolution e “Que fim levam suas roupas?”) que é extremamente problemática, dessa forma, cultuo a cultura de brechó atual que vem se tornando uma tendência e de fato é camp.

Inclusive, na moda, muitas das tendências vigentes estão impregnadas pelo camp. É o caso da ascensão dos “sapatos feios”, como os da marca Balenciaga, das combinações bizarras que se tornam statemant que Alessandro Michele vem apresentando na Gucci, ou os mixes da Vetements, bem como a excentricidade da Moschino. Para entender melhor e esse texto não ficar enorme, da um google nas marcas e sinta o estado de espírito camp.

Vamos ao que de fato chamou atenção nas redes sociais nessa primeira semana de maio, os looks do rose carpet.

Lady Gaga que não usou nada menos que 4 looks, sim, 4 looks, em uma performance que nem nos fez sentir falta da emblemática Riri no baile. Os looks eram de Brandon Maxwell.

Vocês lembram do Bill Porter? Que foi de smoking-vestido no Oscar? Tem post sobre aqui em “5 regras de moda para não seguir”. Dessa vez, ele fez uma entrada inspirada na Cleópatra.

Para mim o melhor da noite, Ezra Miller vestindo Burberry, com uma alfaiataria de padronagem clássica londrina, unida a uma capa que de costas parece uma saia. E o corselete que na verdade é uma joia? Mais a maquiagem surrealista que foi um escândalo.

Jared Leto carregando sua própria cabeça por Gucci.

Katy Perry, sempre excêntrica, dessa vez foi fantasiada de candelabro, inspirada em A Bela e a Fera.

Kim Kardashian também é uma das minhas favoritas, com um Thierry Mugler, estilista que não criava há 10 anos, elaborou um vestido aludindo à água, fazendo parecer realmente estar com a roupa molhada.

Lupita Nyongo com um look cheio de simbolismos. Arco-íris neon, o leque e a maquiagem que lembram uma gueixa, e os pentes em seu cabelo afro dão todo o charme.

Serena Williams foi de tênis da Nike em pareceria com a Off White. Lembram da polêmica sobre a Julia Roberts entrar descalça em Cannes porque não a deixaram subir o tapete vermelho sem salto? Pois é, Serena Williams afrontou e foi de tênis esportivo.

As irmãs Jenner, Kendall e Kylie que causam por onde passam. Levaram ao pé da letra o ensaio de Sontag, quando diz “o Camp é uma mulher andando por aí em um vestido feito de três milhões de penas.”

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