Uma análise minuciosa realizada pelas Promotorias de Justiça da Capital, com o apoio de um Grupo de Trabalho especializado, trouxe novos fatos ao caso do cão comunitário "Orelha". Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), provas periciais e técnicas comprovam que os adolescentes investigados não estiveram no mesmo local que o animal no momento da suposta agressão na Praia Brava.
Os principais pontos da reviravolta:
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Descompasso Temporal: A perícia identificou um erro de 30 minutos nos relatórios iniciais da polícia. Enquanto as câmeras do sistema público mostravam o cão em um local, os registros privados mostravam os jovens a cerca de 600 metros de distância.
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Capacidade Motora: Imagens analisadas mostram que o cão Orelha mantinha movimentos normais quase uma hora após o horário presumido da agressão, o que derruba a tese de que ele teria voltado da praia já debilitado por maus-tratos.
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Causa da Morte: O laudo da exumação do animal não encontrou fraturas ou lesões causadas por ação humana. Foi identificada uma osteomielite maxilar (infecção óssea grave e crônica), além de vulnerabilidade por doenças como a do carrapato.
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"Ouvi Dizer" e Linchamento Virtual: O MPSC criticou a investigação baseada em relatos de terceiros que "ouviram falar" e alertou para o impacto das narrativas falsas que geraram engajamento e lucro em redes sociais através do linchamento virtual dos jovens.
Próximos Passos:
Diante da ausência de provas, o Ministério Público solicitou o arquivamento do caso em relação aos adolescentes e familiares. Além disso, pediu a apuração de possíveis irregularidades na investigação policial e o vazamento de informações sigilosas de menores de idade.