O autismo é um transtorno neurológico que afeta a habilidade de se comunicar e interagir com outras pessoas. Geralmente aparece entre 1 ano e meio e 3 anos, contudo é possível identificar sinais iniciais já nos primeiros meses de vida.
Sem problemas físicos o autista enfrenta grande dificuldade de se relacionar social/emotivamente com as pessoas o que faz com que, na maioria dos casos, ele viva de forma isolada.
O Autismo era dividido em categorias, dentre as cinco, a Síndrome de Asperger. Hoje ele apresenta uma única classificação com diferentes graus de funcionalidade. É o que chamamos espectro do autismo.
Desse modo, lidar com um autista varia muito de um para o outro.

Como identificar se seu filho tem autismo
O transtorno do Espectro do Autismo (TEA), segundo a psiquiatra Fernanda C. Messetti tem várias características e destaca as mais importantes.
Dificuldade de se relacionar com outras pessoas
É algo que sempre ocorre no autismo e pode ser um sinal, se manifestando de algumas formas como, por exemplo, dificuldade de contato visual, não olhando ou quando olha nos olhos de outra pessoa, logo ela desvia o olhar como se algo a deixasse desconfortável. A criança também pode apresentar um desinteresse em outras pessoas, preferindo brincar sozinha ou com objetos.
Dificuldade de expressar sentimento
A criança não consegue expressar sentimentos nem ser consolada, fica muito irritada ou ainda ri muito sem um motivo aparente. Um corte onde a criança não percebe e/ou não dá atenção também pode ser um sinal.
Dificuldade de se comunicar
A criança não fala ou ainda tem um atraso no início da fala, podendo se manifestar até os dois anos. A criança tem dificuldade em começar ou manter uma conversa, podendo repetir sons ou palavras (ecolalia) muitas vezes. Outra característica é ter uma comunicação na terceira pessoa. Ao invés de Felipe falar “eu quero comer” ele diz: “Felipe que comer”. Dificuldade de entender uma pergunta simples ou ainda prestar atenção quando algo não é de seu interesse. A criança pode não responder e/ou nem olhar quando chamada pelo nome mesmo não tendo qualquer problema auditivo. Usar um tom de voz sem variação de tonalidade ou falar cantando pode ser outro sinal. Grande objetividade ao contar uma história, suprimindo detalhes e sendo muito direto.
As chamadas estereotipias, que é quando a criança faz movimentos repetidos, como balançar o tronco ou as mãos. Uma preferência em pisar nas pontas dos pés, seletividade alimentar sem variedade de cores, sabores ou texturas.
Outra característica é o apego excessivo a rotina, intolerância a luz, som auto ou inda a toques em texturas diferentes. Por exemplo a areia, algodão ou lama, como se tocar neles fossem muito desconfortáveis.
Essas são algumas características do autismo, a psiquiatra ainda ressalta que não é preciso ter todos os sinais para que se suspeite do TEA. No entanto o diagnóstico deve ser feito por uma profissional.
Os sinais apresentados, nessa matéria, são melhor vistos em crianças a partir de dois anos. Antes disso os sinais são mais sutis.
Os bebês possuem vários sinais de sociabilidade e perceber a ausência desses sinais pode ser um forte indicativo de TEA.
Aos 4 meses (ou até antes) é esperado que os bebês tenham preferência pelo rosto e pela voz humana e ao perceber a ausência desses sinais é algo preocupante. Espera-se que o bebê procure o som quando seu nome é chamado, que ofereça os braços e/ou os pés para brincar.
Já aos 6 meses o bebê deve responder com um sorriso ou expressão feliz em resposta as brincadeiras com as pessoas próximas.
Aos 9 meses o bebê consegue imitar sons e expressões faciais. Enquanto de 12 a 14 meses ele já gesticula e tagarela como se conversasse.
Com 16 meses ele já diz palavras isoladas e com 24 forma frases com duas palavras.
Ao perceber dificuldade nessas características ou ainda a ausência delas, você deve procurar um profissional médico para um correto diagnóstico.
Agora que já sabemos mais sobre os sinais ou características que identificam um autista, vamos entender melhor sua relação com os animais de estimação.
O Autismo e os PETs
Em matéria divulgada pelo site tismoo.us estudos mostram que a relação estabelecida entre pessoas com autismo e animais desenvolvem de forma enfática a sociabilidade.
“A coisa mais difícil para mim é não poder abraçar e beijar meu filho, é como se houvesse um buraco que eu não consigo atravessar e a chegada do “Tobby” nos aproximou de um jeito que eu jamais poderia imaginar”. Comenta uma mãe.

Não poder vestir, abraçar ou dar colo ao seu filho é algo frustrante, mesmo após inúmeras tentativas das mais variadas formas e observar um cachorro conseguindo esse feito é algo que emociona muito.
Tal vínculo afetivo-emocional com os PETS é comprovada por estudos e dentre as melhoras alcançadas com a inserção desses animais na rotina estão: melhora da autonomia, autossuficiência, comunicação e independência.
Outro fator muito importante é a diversão proporcionada pelos bichanos.
Pesquisas apontam que 94% das crianças autistas tem uma forte ligação com seus animais de estimação.
É importante estabelecer essa relação com a maior brevidade, haja vista que crescer na companhia de um animal de estimação só traz benefício, tanto para o autista quanto para seus familiares.
Confira alguns benefícios que os cães trazem
Ele se torna parte ativa da rotina das crianças e confere uma maior socialização do indivíduo;
A diversão entre indivíduo e animal se amplia para a família, criando desse modo, um elo entre todos os envolvidos;
Desenvolver conhecimento pelos aspectos e vida dos cães, haja vista que autistas gostam de aprender tudo sobre aquilo que despertam seu interesse.
Diminuição de secreção de cortisol (hormônio do de estresse), desse modo, a criança pode diminuir os níveis de ansiedade e estresse.
Ainda que sejam de difícil desenvolvimento, os cães ajudam nos laços emocionais desses indivíduos.
Equoterapia – A importância dos Cavalos
Os cavalos sempre foram animais admirados e inclusos na história da humanidade; certamente não lembraremos ao longo da história um grande feito, uma grande conquista, onde eles não estivessem inclusos.
Eles têm um papel fundamental no desenvolvimento de pessoas com TEA e os estudos comprovam que o cavalo não é apenas uma ferramenta da equoterapia, mas sim um agente terapêutico transformador.
Auxiliando no desenvolvimento da linguagem, percepção, reconhecimento emocional e físico do próprio corpo, melhora no desenvolvimento do equilíbrio além de desenvolver o contato que é promovido pelo cavalgar do animal.
Outros companheiros do autista
É comum pensarmos em cães e cavalos como os mais indicados, mas essa premissa é uma falha, haja vista que cada um se relaciona de um modo.
A matéria publicada pelo tismoo trás a luz a importância de entender a personalidade da criança e que se temos, por exemplo, uma criança mais agitada ou mais sensível a barulhos, um cão pode não ser o ideal. Nesse contexto os gatos e os passarinhos podem ser a melhor escolha.
Luiz Vicente, presidente da Associação dos Pais de Autistas do Extremo Sul Catarinense, musicoterapeuta, com foco no atendimento a autistas, praticante de equoterapia e pai de autista conta como foi receber o diagnóstico.
“Os sinais de início são muito sutis, ela começou com um nistagmo, que é correr os olhos para o lado e alguns medos inexplicáveis, ela chegou a iniciar a fala, caminhou direto e perto de dois aninhos de vida parou tudo, minha filha além do autismo tem paralisia cerebral” Conta o pai.
“Nunca é fácil receber um diagnóstico de que algo não está bem. Conosco também não foi diferente, já vínhamos percebendo algumas características, mas passamos, como todos, pelos períodos de luto e aceitação, como sempre digo, passamos de forma rápida porque queríamos ajudar nossa filha a ter melhor qualidade de vida possível” comenta.
Luiz ressalta da importância de ser ter um processo de aceitação rápido, de modo contrário, pode ser extremamente prejudicial para o desenvolvimento da criança.
Foi nesse processo de busca pelo desenvolvimento da filha, Beatriz Carvalho, que Luiz Vicente se formou como músicoterapeuta e ajuda não só a filha, mais outras crianças a se desenvolverem com a ajuda da música.
A músicoterapia ajuda no desenvolvimento cognitivo, social, na fala, na dessensibilização auditiva e traz uma melhora na questão comportamental.

Hoje com 11 anos, Beatriz Carvalho, prática já a alguns anos a equoterapia, “O contato com o cavalo foi ótimo pela questão de trabalhar o equilíbrio, trabalhar a questão sensorial, toque, abraço, sentir melhor as coisas” Comenta o pai. Além dos cavalos, Beatriz tem uma cachorrinha. “Ela interage com ela brincando e ela gosta de ver o pet em movimento assim como com a calopsita que gosta de ver voar” Completa.


Thais, diretora da AMA - esc, psicopedagoga e psicanalista, diz que seu filho, provavelmente, foi o primeiro com autismo a sair na rua na cidade de Araranguá. “Hoje ele tem 14 anos e naquela época não haviam profissionais especializados na região, o que tornou o diagnóstico algo muito difícil. “Não tinham a expertise de hoje, era bem complicado e o diagnóstico do meu filho foi pseudo tardio, os profissionais não tinham propriedade para fechar o diagnóstico e não tinham conteúdo para poder me convencer que ele era autista. Como era algo muito abstrato e não se falava naquela época, pesquisávamos na internet e não tinha nada a ver com aquilo que era o Leo. Por essas razões vieram as dúvidas se estava correto ou não, e seu diagnóstico definitivo, somente veio aos 4 anos de idade”. Comenta a mãe.
A alegria estampada no rosto do filho ao ir pela primeira vez em uma pizzaria com seus colegas é algo que emociona à todos nós.
Thais também ressalta a importância de um diagnóstico precoce e o quanto isso ajuda no desenvolvimento da criança.
A AMA.ESC Associação dos Pais de Autistas do Extremo Sul Catarinense faz um trabalho de suma importância para as pautas relacionadas ao autismo. Fundada por Thais e Luiz Vicente. Thais diz que desde 2012 ela faz a conscientização na cidade e já em 2018 foi possível se consolidar a AMA, registrar e se adequar ao que era necessário para o seu funcionamento.
A psicanalista conta que após a sede da AMA se concretizar ela quer desenvolver um trabalho com animais e autistas. Determinada e cheia de energia, ela diz que é preciso que além das funções de vida diária, o autista aprenda a ter responsabilidade consigo e com o outro.
Thais diz que os animais sempre fizeram parte da sua vida, sempre foram uma paixão, e desse modo, seu filho cresceu próximo aos pets. “O Leo não gosta muito de passar a mão na Lise, a samoieda da família, por conta das questões sensoriais, mas ela fica o tempo todo com ele, quando ele fica nervoso, e se ele apresenta comportamento inadequado, a cadelinha avisa que algo está errado. Ela é extremamente dócil e calma” pondera.

Mesmo com uma questão de “toque” que atrapalha um pouco, o Leo tem amor pela Lise e tem uma rotina de responsabilidade. “A missão dele é escovar a Lise, passear com ela, alimentar” ressalta a mãe sobre os compromissos que o filho tem perante a samoieda.
O Autista está de longe entre os indivíduos mais solitários e todos nós podemos e devemos fazer algo para mudar essa realidade.
Fonte: Athauan Machado