A homenageada de hoje é a fisioterapeuta e doula, Jéssica Willig Lima
Araranguá
Jéssica Willig Lima tem 36 anos, é fisioterapeuta, natural de Cachoeira do Sul, cidade localizada no interior do Rio Grande do Sul. Mora em Araranguá há três anos e anteriormente estava morando em Porto Alegre. É mestre em ciências da reabilitação, tem formação em yoga, ginecologia natural, medicina chinesa e formação em doula.
O canal Uaaau entrou em contato com Jéssica, que nos contou uma história incrível sobre gratidão pela profissão, descobertas do corpo feminino, e amor por uma nova vida.

A fisioterapeuta nos contou que seu trabalho é todo voltado para as mulheres. ''Eu trabalho nessa área há quase três anos, desde quando cheguei na cidade e aqui eu consegui direcionar o meu trabalho basicamente para as mulheres, hoje meu trabalho é com atenção especial as mulheres, desde o momento que ela tem a primeira menstruação, até a menopausa. O meu foco de trabalho é a saúde do ciclo menstrual e uma saúde do ciclo menstrual inclui que a mulher possa engravidar, então faço acompanhamento durante a gestação, parto e até depois. E esse acompanhamento é feito utilizando todas essas minhas formações, é um olhar mais global, mais integrativo para essa mulher. Nós usamos as técnicas de yoga, de ginecologia natural, tudo visando um bem-estar para a saúde da mulher durante esse período que é bem importante na vida dela'', conta Jéssica.

Jéssica faz o seu trabalho de maneira bem diferente do tradicional. ''O trabalho de acompanhamento do parto, hoje ele tem um formato, e acredito que seja um formato um pouco diferente do que existe atualmente no mercado. Nós fazemos esse acompanhamento de forma interdisciplinar, eu não trabalho sozinha, o acompanhamento das gestantes acontece por mim, trabalhando por essa forma, pela minha colega que é fisioterapeuta pélvica e ela faz o preparo do assoalho pélvico dessas gestantes e mesmo aquelas que não vão passar pelo parto, mas que vão fazer uma cesariana por exemplo. E a gente trabalha também com uma médica, que acredita no nosso trabalho e entende a importância dessa conversa interdisciplinar'', revela.

O parto humanizado ainda é pouco conhecido e escolhido. ''Acredito que seja por causa da falta de estrutura na nossa cidade, que possa acolher essas mulheres que desejam fazer o parto humanizado, então precisamos de mais médicos que queiram abraçar esse formato de trabalho, precisa de hospitais que recebam as mulheres com essa visão, acolhimento e humanização de todo serviço. A humanização ela acontece desde o primeiro momento como paciente, falta de forma geral esse olhar para a humanização da saúde, mas eu acredito que devagar levando informação, e acredito muito na educação em saúde, que esse cenário tenha chance de ser mudado a partir do momento que levamos informações para as meninas desde a fase escolar, ensinando elas sobre o período menstrual, gestação, via de parto e orientando elas para que cresçam já com essa informação,com espaço para diálogo.Eu acho que as gerações futuras elas vão ter chances de viver um cenário diferente,não acredito em uma mudança imediata,com medidas bruscas e drásticas,e sim nessa construção a longo prazo'', revela a fisioterapeuta.

No ano passado Jéssica lançou um livro, o Mulher de fases. '' O livro explica como funciona o nosso ciclo menstrual, cada fase, características principais, e traz algumas práticas dessas minhas formações e algumas práticas do cotidiano, do autocuidado e a trazer bem estar e saúde para o ciclo menstrual, que não precisa ser algo doloroso, difícil para as mulheres, ele existe para o nosso benéfico, é uma dádiva poder ovular, ser capaz de gerar uma vida tudo isso faz parte da natureza da mulher e é importante que aconteça.O meu trabalho todo é nesse sentido,é poder entender sobre o que eu preciso fazer e realizar nessa fase para que não tenha um desconforto. Meu trabalho é todo nesse sentido e consequentemente surgiu o livro, que está bem bacana e as pessoas vão conhecendo e pedindo'', conta.

Jéssica é mãe de uma menina de nove anos, é apaixonada pelo seu trabalho e vive isso intensamente, porque acredita que a gestação é o momento mais lindo na vida de uma mulher. ''Eu falo desse amor e importância para as minhas grávidas, eu me emociono em cada parto que eu acompanho, me emociono em cada gestante que se aproxima, e a gente se envolve com a família. Eu falo para elas de quando eu estava grávida, que a primeira vez que eu fui fazer um ultrassom eu me senti muito perto de Deus, é algo divino, não tem explicação. E poder estar perto dessas mulheres, acompanhá-las e fazer com que esses seres que estão chegando a esse mundo possam ser recebidos com todo amor e segurança é algo maravilhoso. Sou apaixonada por isso'', revela.

O que mais chama atenção para Jéssica em cada parto feito, é poder entrar em contato com as qualidades das mulheres. ''Isso me surpreende, porque as mulheres são fantásticas, e gerar um ser é algo sensacional, existe uma coragem, uma entrega, um amor e determinação e cada mulher me mostra uma faceta do feminino que me encanta e mostra o quanto as mulheres são sensacionais. Cada história conta uma historia de amor, é algo especial'', destaca.
A fisioterapeuta acredita muito no vínculo entre gestantes e profissionais. ''Nós montamos esse formato, porque acreditamos muito no vínculo na capacidade de que a conexão com as pessoas tem de fazer tudo fluir melhor, e estar com a médica que você confia, que compartilha os seus valores e sabe o que você passou, isso faz toda a diferença, e nossas gestantes relataram que se sentem muito seguras. Acreditamos muito nesse vinculo e que ele faz toda a diferença'', conclui.