• Quinta-feira, 09 de Dezembro de 2021
  1. Home
  2. Uaaau Show
  3. Cinemas mundiais: Como se apaixonar pelo cinema espanhol

Uaaau Show

Cinemas mundiais: Como se apaixonar pelo cinema espanhol

Uns dias atrás me foi perguntando: Por que você não faz um artigo sobre o cinema espanhol que tem muita produção boa? Eu particularmente concordo com essa afirmação. Então pensei comigo, poderia ser interessante criar uma série por aqui sobre os diferentes cinemas ao redor do mundo e usar isso como uma oportunidade para enaltecer os ótimos filmes fora de Hollywood. Como a ideia surgiu com filmes espanhóis, aqui estamos. O mercado de cinema espanhol teve sua segunda e maior ascensão por volta das décadas de 70 e 80, e até hoje, mesmo com o número alto de sucessos internacionais de suas produções modernas, são seus filmes mais antigos que alimentam a maior parte da indústria cinematográfica e ainda são suas maiores referências. Foi inclusive no final dos anos 80 que o maior prêmio de cinema da Espanha foi criado, o prêmio Goya, digamos que seja uma versão espanhola do Oscar. Quando eu penso em cinema espanhol dois nomes me surgem na cabeça de imediato, Luis Buñuel e Pedro Almodóvar. Buñuel fez seu sucesso principalmente na era do cinema surrealista, e teve uma colaboração importante com Salvador Dalí em seu primeiro curta-metragem, Um Cão Andaluz de 1929, reconhecido até hoje como uma das mais importantes obras surrealistas. O diretor é considerado um dos mais controversos da história por conta de seus ideais, mas se estabeleceu como um respeitável nome do cinema. Eu, pessoalmente, considero como o mais importante cineasta Espanhol, Pedro Almodóvar, que teve Buñuel como uma de suas maiores influências.

Pedro Almodóvar, o maior nome do cinema espanhol

Você pode não conhecer nada sobre o cinema espanhol, mas tem uma chance grande de já ter ouvido o nome de Pedro Almodóvar alguma vez. O cineasta espanhol se consolidou como um dos maiores nomes da história do cinema na Espanha e tem renome no mundo todo. O que não é para menos, uma vez que a genialidade do diretor, - que ainda soma à sua lista de realizações as funções de roteirista, ator e produtor, - o rendeu diversas indicações à prêmios ao redor do mundo. O cinema de Almodóvar pode ser cativante de tantas formas diferentes que o diretor merece um espaço grande aqui. Seus personagens são sempre pessoas fortes, geniosas, interessantes e cheias de vida. Muitos de seus filmes possuem personagens femininas como protagonistas, Almodóvar já falou que possui um certo fascínio pelo universo feminino e constantemente homenageia a determinação e a capacidade de luta das mulheres, ele diz que a principal razão para isso é por ter crescido cercado de mulheres e ter tido poucas referências masculinas por perto, acabou sendo muito mais próximo delas por toda a sua vida e isso se reflete diretamente em suas histórias. Além disso outro ponto muito marcante do diretor são as chamadas “cores de Almodóvar”- que se assemelham bastante às cores das pinturas de Frida Kahlo -, algo bem marcante em todos os seus filmes, o diretor possui um certo encanto por cores fortes, especialmente com a combinação do azul com o vermelho, característica que fazem seus filmes serem facilmente reconhecidos. Eu poderia fazer uma lista aqui só com filmes que precisam ser assistidos do diretor, mas vou destacar apenas três.

Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (Mujeres al Borde de um Ataque de Nervios) – 1990

O filme que deu à Almodóvar sucesso internacional e lhe rendeu sua primeira indicação ao Oscar foi Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos.A trama começa com Pepa, uma dubladora, que acaba de ser abandonada pelo colega de elenco e amante Ivan logo após fazer uma descoberta que diz respeito aos dois. Ela está disposta a quase qualquer coisa para conseguir contato com ele. No meio dessa busca desenfreada por Ivan, aparece à sua porta uma amiga, que acredita que a polícia está atrás dela por conta do namorado fugitivo e implora pela ajuda de Pepa. É então que Carlos, filho de Ivan, aparece em seu apartamento com a noiva Marisa, com a intenção de alugar o lugar. Todos esses encontros acabam mudando o rumo da vida dos personagens, não antes de deixar cada um deles um tanto louco.

A comédia nos apresenta situações absurdas e engraçadas entre os personagens, e o roteiro é mais um ponto altíssimo do filme, conforme os personagens vão se encontrando e certas coisas começam a fazer sentido, a trama vai se tornando mais divertida e interessante, fazendo jus a todo o sucesso que o filme teve. Ah, e de brinde ainda temos Antonio Bandeiras novinho no papel de Carlos.

Tudo sobre minha Mãe (Todo Sobre mi Madre) – 1999

Esse é um dos maiores sucessos de Almodóvar. No filme, no dia de seu aniversário, Esteban ganha de presente de mãe, Manuela (Cecilia Roth), um ingresso para a nova montagem da peça “Um bonde chamado desejo”, estrelada por Huma Rojo (Marisa Paredes). Após o espetáculo, ao tentar pegar um autografo de Huma, Esteban é atropelado e morre. Manuela resolve então ir até o pai do menino, que vive em Barcelona, para dar a notícia. Lá, ela reencontra o travesti Agrado (Antonia San Juan), e conhece a freira Rosa (Penélope Cruz) e a própria Huma Rojo. Esses encontros acabam mudando suas vidas.

Tudo sobre minha mãe é um filme que acima de tudo homenageia grandes mulheres e grandes atrizes, como o próprio Almodóvar dedica ao final do longa. Além de adorar retratar mulheres, o diretor também representa travestis e homossexuais com a mesma admiração, e aqui, ele consegue retratar cada um com muita intensidade e profundidade, em uma história sobre perdas, arrependimentos, vitórias, esperanças tristezas e conquistas, esse é provavelmente o filme mais feminino do diretor, onde ele reuniu alguns dos maiores nomes do cinema espanhol. O longa acabou recebendo aclamação mundial e ganhou vários dos mais importantes prêmios do cinema dentro e fora da Espanha.

Volver – 2006


O último filme de Pedro Almodóvar que vou dar destaque aqui é um de meus preferidos. Raimunda (Penélope Cruz) é uma mulher batalhadora que trabalha em vários empregos para sustentar a casa. Ela tem uma filha adolescente e é casada com um homem que bebe muito e não para muito tempo em nenhum emprego. Sua irmã, Sole, vive sozinha desde que se separou do marido. No mesmo dia em que Sole liga para a irmã para contar sobre a tia das duas que havia falecido, Raimunda diz que não poderá comparecer a seu enterro e esconde a verdade da irmã, pouco antes de seu telefonema ela encontrou o marido morto na cozinha com uma faca no peito. Sua filha confessa ter matado o pai depois de que bêbado, ele tentou abusar da menina. Raimunda precisa encontrar uma forma de salvar a filha enquanto Sole, viaja para o enterro da tia. A vida das duas irmãs toma um rumo totalmente inesperado depois desses acontecimentos.

As mulheres são as únicas personagens realmente importantes e relevantes em Volver, - assim como Almodóvar já havia feito em Tudo Sobre Minha Mãe - o marido de Raimunda morre logo no início da trama, e além dele, os outros homens que aparecem são meros coadjuvantes com pouco tempo de tela e pouca relevância para a história. O foco do diretor é mostrar o quanto essas mulheres conseguem ser fortes e frágeis ao mesmo tempo e como elas são capazes de lidar com as dificuldades colocadas em seus caminhos por conta própria. É um filme lindo e divertido com excelentes atuações que eu recomendo demais.

Também vale conferir: Má Educação (La Mala Educación – 2004), Fale com Ela (Hable com Ella – 2002), Julieta (2016)

O cinema que não é o de Amodóvar

Agora vamos para o cinema espanhol num retrato mais geral, começando por um gênero que fez muito sucesso dentro e fora da Espanha alguns anos atrás: o terror/suspense. Alguns filmes que valem destaque são:

O Corpo (El Cuerpo) – 2012


O detetive Jaime Peña investiga o caso de um corpo desaparecido do necrotério, após um guarda-noturno do local ser atropelado. O corpo é de uma poderosa mulher, Mayka Villaverde. Há muitas questões sem resposta e ninguém parece ser quem diz, ao mesmo tempo que escondem algo sobre o passado de Mayka. Ele conta com a ajuda do marido dela, mas uma intrincada rede de interesses surge no meio da investigação.

O filme brinca com elementos famosos utilizados por Hitchcock, alé de usar de outras referências à grandes filmes da história, especialmente aos longas de suspense e mistério. O diretor Oriol Paulo, consegue manipular a audiência de maneira exemplar e torna a trama envolvente e interessante do começo ao fim. Há quem considere o filme, um dos melhores suspenses dos últimos anos.

Os Olhos de Júlia (El Ojos de Julia) – 2010


Julia recebe a notícia inesperada da morte de sua irmã gêmea, Sara. Tudo indica que foi suicídio, mas ela prefere acreditar na hipótese de assassinatoe já que está desacreditada pelo marido Isaac e pela polícia, resolve investigar o caso por conta própria. Julia sofre da mesma doença da irmã, num processo de perda gradual da visão, e além de estar sozinha, terá que ficar duas semanas sem enxergar, por conta de uma cirurgia de transplante de córneas. Ela precisa reconstruir os passos da irmã e lidar com figuras estranhas que aparecem em seu caminho para conseguir desvendar o mistério.

O filme ganha pontos pela forma com que conta a história de Júlia ao fazer com que o espectador tenha a mesma sensação que a protagonista tem ao perder a visão, criando uma maior imersão no que a personagem está enfrentando.

O Orfanato (El Orfanato) – 2007


Laura passou os melhores momentos de sua infância num orfanato à beira mar e, 30 anos depois, ela retorna com o marido Carlos e seu filho Simón, de 7 anos com o sonho de restaurar o local. Não demora muito para o menino começar a se comportar de forma estranha, com brincadeiras perturbadoras, e conversar com um amigo invisível, fazendo Laura resgatar lembranças incômodas e desconfiar que há algo à espreita na casa.

Por mais clichê que o filme se pareça pela sinopse, ele se inova em outras partes. Os sustos não são frequentes, assim como vultos passando ao fundo dos personagens. O diretor soube usar dos mecanismos de sustos nos momentos certos e não os banaliza como é bem comum em filmes do gênero.

Uma curiosidade e coincidência interessante é que todos os filmes de terror que estão aqui foram produzidos por ninguém menos que Guilhermo Del Toro.

Também vale conferir: Rec (2007), que acabou ganhando outras 3 sequências e um remake Hollywoodiano.

O Labirinto do Fauno (El Laberinto del Fauno) – 2006


Esse eu sei que todo mundo conhece. O longa dirigido e roteirizado pelo mexicano Guilhermo Del Toro (olha ele aqui de novo!) é espanhol e mexicano. Mas, para quem não souber sobre o que se trata o filme, aqui vai a sinopse. Ao final da guerra civil, em 1944, um grupo de rebeldes ainda luta nas montanhas de Navarra. uma garota muda-se, com sua mãe, para a casa de seu novo padrasto, um oficial fascista que está ali para exterminar os últimos rebeldes. Solitária, ela descobre nos jardins da casa, um labirinto, que é habitado por criaturas fantásticas, que acabarão interferindo na vida de todos.

Só o que tenho a dizer é que esse é um dos filmes mais fantásticos já feitos, então, se você ainda não o assistiu, faça um favor a si mesmo e não perca mais tempo.

Árvore de Sangue (El Arbol de la Sangre) – 2018


Um jovem casal desvenda segredos sombrios de seus ancestrais ao escrever a história em comum das famílias de ambos. E um dos dois precisa fazer uma confissão dolorosa.

Essa sinopse é um tanto curta não é mesmo? Pois é um resumo bem curto e grosso do que se trata o filme. A história pode parecer confusa a principio já que vários personagens são introduzidos à trama rapidamente, mas logo tudo começa a se encaixar. Acho que uma boa forma de resumir o filme é dizer que ele é bem novelão, são histórias de vários personagens que acabam se cruzando de alguma forma e mudando o destino de suas vidas com revelações chocantes e um enredo repleto de mentiras e intrigas antigas. O filme me prendeu do começo ao fim, e confesso, me vi pensando nele sem conseguir parar de analisar a história por algum tempo.

O filme é original Netflix.

Mar Adentro – 2005


Ramón Sampedro (Javier Bardem) é um homem que luta para ter o direito de pôr fim à sua própria vida. Na juventude ele sofreu um acidente, que o deixou tetraplégico e preso a uma cama por 28 anos. Lúcido e extremamente inteligente, Ramón decide lutar na justiça pelo direito de decidir sobre sua própria vida, o que lhe gera problemas com a igreja, a sociedade e até mesmo seus familiares.

O filme foi baseado em uma história real e saiu vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Javier Bardem está impecável no papel. O longa foi escrito e dirigido por Alejandro Amenábar, um cineasta reconhecido por seus trabalhos dentro e fora da Espanha como os filmes Os Outros (The Others/ Los Otros) de 2001 e Alexandria (Ágora) de 2009.

Também vale conferir: Um contratempo (Contratiempo, 2017) disponível na Netflix, Campeones - 2018, Lucia e o Sexo (Lucia y el Sexo – 2001)

Tentei fazer uma lista um tanto diversificada do que é o cinema espanhol, mas ele vai bem mais além do que está aqui, ainda assim, essa é uma boa lista de filmes para quem quer dar uma chance ao cinema da Espanha. Recomendo muito!

Samae de Araranguá realizará ação em alusão ao Dia Mundial da Água Evento começa nesta sexta-feira (22) às 14h, na Praça das Águas Próximo

Samae de Araranguá realizará ação em alusão ao Dia Mundial da Água Evento começa nesta sexta-feira (22) às 14h, na Praça das Águas

O que faz uma personal Stylist? Anterior

O que faz uma personal Stylist?

Inscreva-se em nossa Newsletter

Fique por dentro das nossas novidades.