• Terça-feira, 21 de Abril de 2026
  1. Home
  2. Uaaau Show
  3. Gêneros: O que faz um filme ser dramático

Uaaau Show

Gêneros: O que faz um filme ser dramático

Quando falamos em drama você deve ter um filme que automaticamente passa pela sua cabeça porque te marcou de alguma forma, todo mundo tem. O meu é: A Corrente do Bem, filme que assisti pela primeira vez na adolescência e que me deixou em estado de melancolia por um bom tempo, e que gosto demais. Mas o que define o drama? Você já parou para pensar nisso? A maioria das pessoas tende a dizer que são filmes tristes, o que de fato são, mas essa não é a única definição para eles. O drama ilustra a vida de seres iguais a nós, de pessoas comuns, ele enfatiza a seriedade dos fatos, o que acredito ser obvio para todos, afinal, para muitas pessoas assistir a um drama é assistir um filme para chorar, e quanto mais ele enfatiza que a situação que o protagonista está passando é séria, maior a chance de qualquer um perder o autocontrole e chorar descabeladamente. Isso significa que o objetivo do gênero dramático é que o ser humano comum passe por algum tipo de situação corriqueira, abordando suas vivências, enquanto explora as consequências emocionais mais inusitadas e profundas em suas vidas, algo que do ponto de vista narrativo, é um dos setores mais importantes do gênero. Isso faz com esses filmes tenham o realismo como base, para que assim possam causar reflexão e problematização acerca da sociedade, de suas normas e valores, assim como quanto ao lugar do ser humano. Então, tendo como base as palavras do pensador do cinema Luís Nogueira, vou comentar um pouco sobre alguns dos principais tipos de drama cinematográficos.

Um filme dramático de alto reconhecimento mundial é O Resgate do Soldado Ryan (Saving Private Ryan). Ao desembarcar na Normandia, no dia 6 de junho de 1944, o Capitão Miller (Tom Hanks) recebe a missão de comandar um grupo do Segundo Batalhão para o resgate do soldado James Ryan (Matt Damon), o caçula de quatro irmãos, dentre os quais três morreram em combate. Por ordens do chefe George C. Marshall, eles precisam procurar o soldado e garantir o seu retorno, com vida, para casa. Essa trama pode até se parecer com um filme de guerra como muitos outros que tem o drama como essência, mas ele é um excelente exemplo de drama feito com qualidade. A maior parte do filme mostra o capitão Miller e seu grupo enfrentando muitas dificuldades e perigos para encontrar o soldado Ryan, e enquanto estão nessa jornada, eles precisam enfrentar situações difíceis emocional e fisicamente, e devem aprender a lidar com o tanto de sentimento que uma guerra é capaz de causar, sempre com a dúvida se sairão com vida dali. Esse filme é maravilhoso até para quem não gosta muito de filmes de guerra, a complexidade da história e de seus personagens e as filmagens consideradas por muitos como tão reais quanto registros jornalísticos de guerra, são alguns dos pontos mais altos do longa.

O Resgate do Soldado Ryan é um drama bélico, ou seja, é um drama com violência, que se passa em meio ao cenário de guerra, perante um inimigo e perante a morte, onde os personagens acabam questionando sua plena e autêntica humanidade. (ou em alguns casos, a falta dela) Outros dramas bélicos ótimos: Dunkirk, Cavalo de Guerra (War Horse), Até o Último Homem (Hacksaw Ridge).

Outro longa com uma excelente dramatização e que pessoalmente é um de meus filmes favoritos é Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind), nele, Joel (Jim Carey) se surpreende ao saber que seu amor verdadeiro, Clementine (Kate Winslet), o apagou completamente de sua memória. Ele decide fazer o mesmo, mas durante o processo, muda de ideia. Preso dentro da própria mente enquanto os especialistas se mantêm ocupados em seu apartamento, Joel precisa avisá-los para parar. Esse é um dos poucos trabalhos dramáticos de Jim Carey e sem dúvida uma de suas melhores atuações. Como um bom drama, esse é um filme em que os personagens, não só Joel e Clementine como também seus coadjuvantes interpretados por Kirsten Dunst, Mark Ruffalo, Elijah Wood e Tom Wilkinson, possuem uma complexidade como não vemos com muita frequência, cada personagem tem sua história e elas não tendem a serem simples e pouco exploradas, pelo contrário, os coadjuvantes são aproveitados ao máximo aqui. Enquanto Joel está preso dentro de sua própria cabeça vendo suas lembranças irem embora, ele sofre com a escolha que fez e com as lembranças que está presenciando, as consequências da decisão que tomou ao querer fazer o procedimento o levam à conflitos internos que desencadeiam emoções dentro dele que ele pode não ser capaz de controlar. Não é exatamente o tipo de drama que vai te fazer chorar e se sentir melancólico no final, mas eu também não descarto a probabilidade de isso acontecer.

Brilho Eterno é um drama romântico e psicológico, a atenção do longa é para as relações afetivas de grande intimidade e/ou cumplicidade de seus personagens, mostrando suas dificuldades, seus problemas de comunicação, suas fragilidades ou incompatibilidades, e, justamente por esses motivos, o drama romântico é o tipo de gênero que tende a prender mais a atenção de seu espectador. Ao mesmo tempo, Joel entra em confronto com ele mesmo, com seus medos, suas inseguranças e suas incertezas, e no fim das contas, acaba passando também, por uma jornada de autoconhecimento, características do drama psicológico. Outros dramas românticos ótimos: Te Amarei Para Sempre (The Time Traveler’s Wife), P.S. Eu Te Amo (P.S. I Love You), Amor (Amour), As Pontes de Madison (The Bridges of Madison County).

Um grande drama da atualidade é Cisne Negro, Nina (Natalie Portman) é uma bailarina de destaque que se encontra presa a uma teia de intrigas e competição com uma nova rival, Lily (Mila Kunis). O filme faz uma viagem emocionante e às vezes aterrorizante à psique de uma jovem bailarina, cujo papel principal como a Rainha dos Cisnes acaba sendo uma peça fundamental para que ela se torne uma dançarina assustadoramente perfeita. Nina é uma personagem com extrema complexidade, ela acaba passando por um tipo de alto conhecimento ao longo da trama, mas faz isso de forma assustadora, uma vez que toda a pressão em se tornar a bailarina perfeita a leva à beira da loucura, a ponto de nem a personagem nem o espectador saber se o que ela está vendo é realidade ou imaginação. Seus conflitos internos e como ela vai solucioná-los, são a base desse drama que também é um suspense.

Cisne Negro é um drama psicológico, a protagonista entra em frequente confronto com ela mesma, com seus medos, suas incertezas, suas inseguranças e/ou suas convicções, que aqui, são refletidas por Nina que ela vê como uma rival. E, de certa forma, o filme ainda se trata de uma jornada de reconhecimento íntimo, outra característica do drama psicológico. Outros dramas psicológicos ótimos: Precisamos Falar Sobre Kevin (We Need to Talk About Kevin), Psicopata Americano (American Psycho), Amnésia (Memento), Donnie Darko, Onde Vivem os Monstros (Where the Wild Things Go), Uma Mente Brilhante (A Beautiful Mind).

Um drama Dinamarquês que eu gosto muito é A Caça. Na trama, Lucas acaba de dar entrada em seu divórcio. Ele tem um novo emprego na creche local, uma nova namorada e está ansioso pela visita de natal de seu filho, Marcus. Mas o espírito de natal desaparece quando Klara, de cinco anos de idade, que é filha de um de seus melhores amigos e aluna da creche, faz uma acusação de abuso contra Lucas, o que desencadeia o ódio de toda a comunidade em que ele vive. A vida do protagonista vira do avesso depois da acusação de Klara, e não parece haver nada que ele consiga fazer para reverter a situação e comprovar sua inocência, uma vez que é com muita rapidez que toda a cidade fica sabendo do ocorrido e se volta contra ele e seu filho. Lucas, está preso em meio a uma polêmica social, e precisa encontrar uma forma de provar sua inocência e dar a volta por cima.

A Caça é um drama social, gênero que coloca seus personagens em confronto com uma concepção do mundo onde eles têm dificuldade em encontrar o seu lugar e as suas referências, sendo muitas vezes vítimas de contextos que negam ou agridem os seus direitos fundamentais. No caso do longa, Lucas entra em confronto com uma concepção que as pessoas criam dele a partir das palavras de uma criança, algo que acaba fazendo com que ele se torne uma vítima da sociedade, onde as pessoas o ameaçam nas ruas e o impedem de frequentar certos lugares, tirando dele assim, alguns de seus direitos mais básicos. Outros ótimos dramas sociais: Mary e Max (Mary and Max), Persépolis (Persepolis), Adeus Lenin! (Goodbye Lenin!), Laranja Mecânica (A Clockwork Orange)

Álbum de Família é um dramédia (drama + comédia) que se centra toda em uma família. Barbara (Julia Roberts), Karen (Juliette Lewis) e Ivy (Julianne Nicholson), que após um longo período separadas precisam voltar para casa e cuidar de sua dura, mas carismática mãe Violet (Meryl Streep). O reencontro desencadeia uma série de conflitos que, aos poucos, vai revelando os segredos de cada um. Vemos aqui o drama de uma família que se reúne para o enterro de Berverly, o pai das irmãs e marido de Violet. Conforme os personagens vão passando seus tempos juntos, os dramas que os afastaram, os divórcios ao longo do caminho e suas histórias do passado, são colocados à mesa de forma realista, a ponto de causar certo reconhecimento à qualquer família disfuncional e cheia de problemas que se vê sem opção a não ser pôr para fora tudo o que vem acumulando dentro de si.

Portanto, Álbum de Família é um drama familiar, que pode assumir as mais diferentes abordagens, ele é centrado com frequência na disfuncionalidade familiar e no melodrama, onde conflitos de gerações ou algum tipo de preconceito moral acabam colocando elementos familiares em confronto, isso vale também para filmes adolescentes, onde é mostrado as dificuldades dos momentos de amadurecimento. No caso do longa, a disfuncionalidade familiar e os conflitos de gerações são os principais focos do filme, que mostra de forma crua, o relacionamento difícil entre mãe e filhas e entre as próprias irmãs. Outros ótimos dramas familiares: As Virgens Suicidas (The Virgin Suicides), Kramer vs. Kramer, Boyhood: Da Juventude à Infância (Boyhood).

Por hoje é isso gente, até a próxima.

Maravilhas da Capital Chilena Próximo

Maravilhas da Capital Chilena

PSDB pode mudar de nome Anterior

PSDB pode mudar de nome

Inscreva-se em nossa Newsletter

Fique por dentro das nossas novidades.