Jovem criciumense conta sua história de superação com o câncer
Criciúma
Não é fácil para ninguém descobrir um câncer. Embora seja uma palavra pequena, ela carrega um peso difícil de ser suportado e uma árdua tarefa a ser feita, que será enfrentar as mais difíceis fases de um tratamento, que por vezes, pode ser até longo.
E para poder se livrar desta batalha e ainda vencê-la, é necessária muita coragem, e é preciso fazer o possível e o impossível para manter as atividades diárias, uma das peças fundamentais para o sucesso desta jornada.
E o Portal Uaaau, descobriu a linda história de superação da jovem Mariana Baldessar de 18 anos, moradora de Criciúma. Em fevereiro de 2014, quando tinha apenas 13 anos, Mariana foi diagnostica com um osteossarcoma grau quatro, com metástases no pulmão, câncer nos ossos, o qual o dela era no joelho esquerdo. Quando descobriu o câncer, ele já estava em um nível bem avançado e após ter feito os exames para confirmar a doença, ela já começou os tratamentos, ''Fiz quimioterapia até maio, perdi todo o meu cabelo, cheguei a pesar 41quilos. E logo após essas primeiras sessões a minha médica veio conversar comigo e disse que a quimioterapia não havia diminuído o tumor, que o único jeito de conseguir sobreviver era amputando a perna'', conta Mariana.
Foi um dia inteiro chorando, tentando se conformar com a notícia, mas apenas aceitou, pois queria sobreviver. E como era necessário amputar a perna para continuar viva, ela iria a fundo. ''Então alguns dias depois, foi marcado o dia da amputação. Fui me preparando psicologicamente, Deus foi tão bom comigo, que me colocou no mesmo quarto de uma família que também estava na luta junto com o filho menor. Ele havia passado por uma cirurgia que teve que retirar um dos olhos, e aquilo me deu forças, pois vi um menino tão pequeno e tão sorridente que também havia passado por uma luta, e estava ali, vivo e lutando cada vez mais'', ressalta a jovem.
Quando chegou o dia da cirurgia, Mariana relembra que estava sorrindo. ''Lembro que entrei na sala de espera sorrindo, estava junto com a minha mãe e minha irmã, fiz bagunça com as outras crianças como se fosse um dia normal. Daí chegou a minha vez de fazer a cirurgia, eu subi na maca e quando estava longe da minha mãe e irmã, caiu uma lágrima do meu olho, mas respirei fundo e esqueci das lágrimas, e após a cirurgia eu ainda estava fraca e claro, ainda não havia caído a ficha totalmente, mas no fundo eu estava aliviada por saber que tinha vencido uma parte da luta'', conta.

Alguns dias depois da cirurgia, Mariana começou a sentir uma dor fantasma. Esta dor, é sentida pelas pessoas no membro amputado, como se estivesse ali ainda. ''Eu fiquei muito abalada quando comecei a sentir dor, pois não sabia que era possível e fiquei pensando, eu amputei a perna para me livrar do câncer a da dor, mas ainda estava sentindo dor e eram horríveis, e quando não aguentava, eu precisava tomar remédios para dormir'', complementa a jovem.
Ao longo dos dias, Mariana começou a fazer tratamentos, que a sua fisioterapeuta e terapeuta ocupacional passaram para aliviar a dor, que com o tempo foram sumindo. ''Continuei fazendo o tratamento até dezembro, pois ainda tinha no pulmão. Depois de ter terminado o tratamento, coloquei a prótese, que foi doada pela Casa Guido, uma instituição que ajuda crianças e adolescentes com câncer, e se não fosse por eles, eu não teria conseguido, pois a prótese custou R$ 25 mil e minha família e eu não tínhamos condições'', destaca Mariana.
Começou então a fase de adaptação do uso da prótese, que não foi nada fácil. Mariana levou cerca de três anos para conseguir andar com ela sem ajuda das muletas. ''Hoje em dia tenho uma vida normal, terminei o ensino médio, trabalho e pretendo fazer uma faculdade ano que vem. Foi um ano de muita luta, se fosse contar tudo, iria virar um livro. Eu gosto de sempre deixar uma mensagem para as pessoas que passam por essa luta ou qualquer outra luta que seja. Não desista, por mais que pareça impossível, não desista, fique firme, chame Deus, acredite, ele te escuta, não desista de você, se ame, se curta, não se entregue, você é mais forte do que imagina, eu consegui vencer, você também consegue'', conclui Mariana.
Texto: Luíza Hennemann