O avanço das apostas esportivas no Brasil trouxe consigo mudanças significativas na dinâmica dos meios de pagamento. De acordo com as normas do Ministério da Fazenda, o uso de cartões de crédito, boletos e criptoativos em apostas online foi proibido. Apenas Pix, transferências diretas (TED), cartões de débito e pré-pagos continuam a ser permitidos.
Essa regulação fortaleceu ainda mais o uso do Pix nas plataformas de aposta esportiva. Estudo recente da consultoria GMattos mostra a dimensão desse impacto: no primeiro semestre de 2025, 15,3% de todo o volume transacionado via Pix de pessoas para empresas foi direcionado a casas de apostas.
Já os pagamentos de prêmios corresponderam a 13,5% do volume de empresas para pessoas. O levantamento ainda estima que, só no semestre, os depósitos feitos por apostadores atingiram R$ 242,8 bilhões, com R$ 225,8 bilhões pagos em premiações.
Criado em 2020 pelo Banco Central, o sistema de pagamentos instantâneos rapidamente foi adotado pela população, consolidando-se como o método mais utilizado pelos brasileiros. Em 2023, o Pix já havia atingido mais que o dobro das transações com cartões de débito, segundo Carlos Eduardo Brandt, chefe de operações do Banco Central.
Preferências dos apostadores
O Pix não é a única clara preferência dos apostadores brasileiros. Dados de uma plataforma autorizada de aposta esportiva referentes ao mês de julho mostram um esporte em especial na liderança dos palpites: o futebol foi responsável por 79,46% dos usuários ativos e 85,98% das entradas realizadas no período.
Em seguida aparecem o tênis, com 6,24% dos usuários e 8,40% das apostas, e o basquete, com 2,93% dos usuários e 2,60% das apostas. Outros esportes como vôlei (7,0% dos usuários ativos, mas apenas 0,98% em apostas) e tênis de mesa (0,95% de usuários e 0,90% em apostas) também figuram entre os mais escolhidos.
Quanto aos campeonatos mais movimentados, o Brasileirão Série A foi o líder em julho de 2025, com 14,23% das apostas, seguido pela Copa do Mundo de Clubes (7,92%) e pelo Brasileirão Série B (7,56%).
Já no recorte por clubes, Flamengo (5,80%), Internacional (5,06%) e Botafogo (4,71%) foram os mais selecionados, enquanto São Paulo e Real Madrid empataram com 2,40% cada.
Números oficiais do mercado de aposta esportiva
Segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, o mercado regulado de aposta esportiva e jogos online movimentou R$ 17,4 bilhões no primeiro semestre de 2025. Ao todo, 17,7 milhões de brasileiros participaram, com gasto médio individual de R$ 983 no período, cerca de R$ 164 por mês.
A combinação entre a popularidade do Pix e a consolidação da regulação explicam o crescimento acelerado do setor. Como destacou o Ministério da Fazenda, o acompanhamento rigoroso das operações financeiras e a limitação dos meios de pagamento têm como objetivo equilibrar os ganhos econômicos da aposta esportiva com a proteção social, criando um ambiente mais seguro para os milhões de brasileiros que optam por participar desse mercado.