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Geral

Mãos que falam

Araranguá

Libras é considerada a segunda língua oficial do Brasil há mais de dez anos. Sendo esta, uma linguagem essencialmente visual, com uso de gestos que definem as suas expressões. Ao contrário do que muita gente pensa, não é uma simples transferência do português para as mãos e o corpo. É uma língua dinâmica, como qualquer outra, que também possui seus dialetos e gírias.

O uso de libras como língua oficial, padronizou a comunicação com as pessoas da comunidade surda, em todo o país. E, além da inclusão escolar, há uma série de leis que buscam inserir o surdo na sociedade.

Hoje, existe uma grande demanda de intérpretes nas escolas e nas universidades, e o mercado não para de crescer para estes profissionais. Além disso, transmitir as informações nas propagandas, eventos, campanhas eleitorais e entre outras situações, precisam ser obrigatoriamente transmitidas para os surdos.

Ainda possuem muitos campos para serem explorados. Os concursos púbicos, supermercados, lojas, delegacias, prefeitura e hospitais são alguns espaços que precisam ser frequentados pelos surdos e que necessitam da presença de um intérprete. A profissão para tradutor de libras está regulamentada desde 2010.

Para sabermos mais deste assunto tão importante, o Canal Uaaau conversou com duas intérpretes, Janete da Silveira, que contou da sua experiência com libras e Jaqueline Santos, que nos tirou algumas dúvidas deste assunto.

Janete contou que começou a ter contato com libras em 2010, quando trabalhava no comércio. ''Quando eu trabalhava na Monalisa Modas eu atendia algumas clientes surdas e eu não sabia me comunicar, então era aquela questão de escrever bilhetes para se comunicar, e ainda bem que essas clientes eram alfabetizadas e me respondiam, daí começou a vir uma vontade muito grande de aprender línguas de sinais, para me comunicar no comércio, então em 2010 iniciou o curso de libras no IFSC e comecei a cursar. Até que meus professores perguntaram se eu teria interesse em trabalhar como professora ACT, para ser intérprete em sala de aula '', conta Janete.

A intérprete revelou que ficou surpresa com a ideia, que ser professora intérprete não era o seu foco, e que o seu objetivo era apenas conseguir se comunicar com os clientes. ''Resolvi fazer a prova e passei, logo comecei a trabalhar como intérprete de libras em escolas na rede estadual e também comecei a interpretar na UFSC, no curso de Engenharia da Computação. E atualmente, no início deste ano, fui selecionada para uma pós-gradução, especialização em tradução e interpretação de línguas de sinais, no IFSC de Palhoça, mas ainda atuo nas escolas'', conclui a intérprete.

E a intérprete Jaqueline Santos, nos ajudou a entender melhor sobre a língua de sinais nos respondendo algumas perguntas.

Que fatores qualificam a libras como uma língua oficial em seu sentido pleno? E existe uma língua de sinais universal?

A língua de sinais tem aspectos linguísticos próprios, ela tem uma gramática própria, possuindo níveis linguísticos como a fonologia, morfologia, semântica e pragmática, possui essas variações linguísticas porque cada estado e região criam os seus próprios sinais, é como o sotaque e essas variações também existem nas línguas de sinais. Dessa forma, a língua de sinais acaba não sendo universal, porque cada país tem a sua própria língua.  

É mais difícil aprender libras em comparação a outros idiomas?

 Não, não é mais difícil, porque qualquer idioma que você queira aprender precisa de muito estudo e dedicação, e a língua de sinais também é dessa forma. Algumas pessoas acham difícil, mas requer muito estudo, muita prática e precisa estar sempre em contato com a língua, porque se não, acaba esquecendo igual a qualquer outro idioma.

Há algumas dicas que possam ser úteis a quem deseja aprender a se comunicar por línguas de sinais?

Primeiramente encontrar um curso com profissionais qualificados, mas quem são esses profissionais? Principalmente o surdo, que já tenha uma formação que é letras, libras licenciatura, que é o surdo que aprende a língua de sinais e ensina e também tem letras, libras bacharelado, que é o ouvinte para trabalhar como tradutor e intérprete, buscar um bom curso, ter bastante dedicação, assistir bastantes vídeos, acessar sites de referência, ter contato com o surdo, isso também é muito importante.

Jaqueline é professora aposentada, trabalhou no Castro Alves na área de libras por 20 anos no atendimento educacional especializado como professora bilíngue e intérprete de libras, e no ano passado concluiu o Bacharel em letras libras.

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