Pegou mal ida do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL/SP) ao Catar, supostamente para entregar um pen-drive “sobre a situação do Brasil”, a interessados. O filho do presidente Jair Bolsonaro (PL) poderia ter escolhido um período mais apropriado para a tal entrega, ou, quem sabe, se utilizar de mecanismos como e-mail ou whtassap para remeter suas informações aos tais destinatários. O fato é que enquanto milhares de brasileiros deixam seus afazeres para manter viva a chama do bolsonarismo, através de uma constante mobilização que se arrasta desde o último dia 1º de novembro, o filho do presidente viaja para o país da Copa, e depois aparece com a história do tal pen-drive. Em respeito a mobilização, a tal ida ao Catar não deveria nem ter sido cogitada.
Leite no comando do PSDB ajuda Bolsonaro
Governador eleito do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, aceitou assumir o comando nacional do PSDB. O atual presidente do partido é ex-deputado federal e ex-Ministro das Cidades, Bruno Araújo, cujo mandato frente a legenda vai até junho de 2023. Ele, no entanto, quer deixar o comando do partido já nos primeiros meses do ano que vem, de modo a possibilitar a chamada reconstrução tucana.
Depois das derrotas nacionais para o PT, em 2002, 2006, 2010 e 2014, o PSDB definhou a ponto de se igualar as pequenas siglas do país. Por conta da falta de perspectivas, Geraldo Alckmin trocou a legenda pelo PSB, objetivando ser candidato a vice de Lula da Silva (PT). No embalo da derrocada, o partido não conseguiu sequer chegar a um entendimento para lançar um candidato a Presidência da República. Na convenção nacional, o então governador de São Paulo, João Dória Júnior, derrotou Eduardo Leite, mas depois não levou sua candidatura adiante. Um roteiro típico dos esquetes de comédia mexicana.
Em princípio, o que se imagina é que Eduardo Leite seja o nome ideal para reconstruir o partido, devolvendo ao PSDB o vigor necessário para um embate nacional. É muito provável que isto acabe acontecendo, e que os tucanos se firmem como uma alternativa a dualidade entre petistas e bolsonaristas, com Eduardo, provavelmente, sendo candidato à Presidência. Quem mais ganha com isto, no entanto, é o atual presidente Jair Bolsonaro.
O fato é que Eduardo Leite é um social-democrata, ainda que por vezes mantenha um discurso liberal. Em sendo um moderado, a tendência natural é que ele coopte a simpatia daqueles eleitores que votam em Bolsonaro ou em Lula por mera falta de opção. Todavia, o bolsonarismo é uma tendência ideológica em ascensão, e o petismo uma tendência ideológica em descensão. Sendo assim, Leite roubará mais eleitores de Lula, do que de Bolsonaro.
É provável que a dualidade entre bolsonaristas e petistas continue em alta pelos próximos quatro anos, e que no segundo turno da eleição presidencial de 2026 Eduardo Leite acabe “devolvendo” os eleitores cooptados ao mercado eleitoral. No entanto, seu discurso liberal ao longo dos próximos anos o ligará mais a Bolsonaro do que a Lula. Na prática, sua principal função será a de roubar eleitores simpatizantes de Lula, para depois entregá-los a Bolsonaro.
Jorginho transfere anúncio de Secretários para dia 5
Governador eleito Jorginho Mello (PL), que faria o anúncio dos primeiros nomes de seus Secretários de Estado nesta quinta-feira, dia 1º, transferiu este compromisso para a próxima segunda-feira, dia 5. De acordo com sua assessoria, a mudança se deu em consequência das fortes chuvas que tem atingido especialmente o Norte de Santa Catarina. Jorginho, que está em Brasília, decidiu permanecer mais alguns dias na capital federal, na tentativa justamente de conquistar recursos para recuperar os prejuízos causados pelas chuvas. A assessoria do futuro governador não quis adiantar nomes do novo secretariado, ressaltando que “quaisquer postagens, informações ou notas serão categorizadas como mera especulação pela equipe de transição”.