Deputado integrante do tribunal de julgamento de Carlos Moisés da Silva (PSL), no processo de impeachment dos respiradores, José Milton Scheffer (PP) tem defendido a tese de que o governador é inocente. De acordo com o parlamentar, ao longo de quase um ano Carlos Moisés foi exposto as mais diversas situações investigativas, e, em nenhum momento se conseguiu provar que ele agiu de forma deliberada na compra dos 200 respiradores, que resultaram, num primeiro momento, em um prejuízo de R$ 33 milhões aos cofres públicos. Deste total, R$ 14 milhões já foram localizados pelo judiciário, e estão bloqueados.
Para Zé Milton, o governador não agiu de má fé, e seu suposto erro consistiria em ter confiado em quem não deveria para efetuar a malfadada transação. “Afora isto, o governador tomou todas as medidas necessárias para normatizar aquela situação, o que incluiu a exoneração de dois secretários de Estado, além da exoneração de outras pessoas diretamente ligadas a compra dos respiradores”, comentou o deputado. Conforme ele, o fato da Polícia Federal não tem apontado Carlos Moisés como responsável direto pela compra dos respiradores, aliado ao fato do Ministério Público não ter proposto ação contra o governador no caso, são provas cabais que indicam sua inocência.
Na sexta-feira, por seis votos a quatro, o tribunal de julgamento decidiu que o processo de impeachment do governador Carlos Moisés da Silva deva ser levado adiante. Por conta disto ele deverá ser afastado, por um prazo de até 120 dias, a partir de hoje, do comando do Estado. Dentro deste prazo caberá ao presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Roesler, convocar novamente o tribunal de julgamento para decidir se o governador será efetivamente cassado, ou não. Nesta segunda etapa serão ouvidas todas as manifestações de acusação e defesa do caso. Para que Carlos Moisés seja cassado, é necessário que sete de seus dez julgadores queiram isto.
Tiago Zilli deve ficar mais livre para candidatura
Ex-prefeito de Turvo, Tiago Zilli (MDB), inaugurou ontem à noite empreendimento supermercadista, projeto que vinha timonando diretamente nos últimos meses. De acordo com Tiago, o envolvimento no projeto vinha obstruindo um trabalho de forma mais afincada na construção de sua pré-candidatura a deputado estadual ano que vem. Ainda que o ex-prefeito já tenha dito que, por conta da pandemia de Covid-19, as ações ligadas as suas pretensões eleitorais estejam bastante comedidas, a expectativa é que, a partir de agora, os trabalhos visando a conquista de uma cadeira no parlamento catarinense comecem a aparecer com mais evidência.
Clima é favorável ao governador Carlos Moisés
Em princípio, governador Carlos Moisés da Silva não corre risco de ser cassado na segunda etapa do julgamento ligado a CPI dos Respiradores. Isto só aconteceria se um dos quatro deputados que votaram pelo não prosseguimento do processo de impeachment voltasse atrás em sua posição. É pouco provável que isto aconteça por um simples motivo: Carlos Moisés e a Assembleia Legislativa já estão acertados politicamente, tanto é que quatro, dos cinco deputados que compõe o tribunal de julgamento, votaram pelo não prosseguimento do processo. Ainda assim, mesmo que um dos quatro que estão a seu lado mude de posição, todos os demais que votaram pelo prosseguimento do processo precisariam manter seu voto. Enfim, para que o governador seja cassado, é preciso que haja um grande alinhamento de astros no firmamento.
Zênio Cardoso diz que está fora de novas disputas eleitorais
Ex-prefeito de Sombrio, Zênio Cardoso (MDB), diz que só quer saber de política, pelos próximos meses, através dos veículos de comunicação. Depois de três disputas pessoais seguidas, em 2008, 2012 e 2016, e de ter coordenador a campanha da prefeita eleita Gislaine Cunha (MDB) em 2020, Zênio diz que “é preciso dar um tempo para a cabeça”. Ele descarta “completamente” a possibilidade de voltar a disputar qualquer eleição, mas ressalta que em 2022 voltará a ativa “para apoiar os companheiros de partido” na eleição estadual. Além de Sombrio, Zênio teve participação decisiva no resultado eleitoral de Balneário Gaivota, que elegeu o prefeito Kekinha dos Santos (PSDB).
Vice-governadora já começou articulações para ficar no poder
Mesmo com cenário pouco favorável à efetiva cassação do governador Carlos Moisés da Silva, articulações para que ele seja afastado em definitivo do comando do Estado já começaram. Deputado estadual Laércio Schuster (PSB), que votou pelo prosseguimento do processo de impeachment, por exemplo, está sugerindo troca no comando da Saúde estadual. Na mesma linha, vice-governadora Daniela Reinehr (S/P), que assume hoje a governadoria, em princípio, de forma interina, já acenou favoravelmente a esta possibilidade. Daniela já chegou até mesmo a conversar com a deputada federal Carmem Zanotto (Cidadania) para prospectar seu interesse na pasta. A vice da a entender que pretende abrir o governo “as nações amigas” de modo a garantir sua permanência no governo, através da consequente saída de Carlos Moisés.