O mercado ilegal de apostas e jogos de cassino no Brasil movimentou aproximadamente R$ 14 bilhões em 2025, segundo dados do portal Aposta Legal. O levantamento revela que o faturamento das casas de apostas clandestinas superou o da indústria de brinquedos e foi mais de três vezes o registrado pelo comércio eletrônico durante a Black Friday do mesmo ano.
A expansão do setor irregular coincidiu com o primeiro ano completo de regulamentação das apostas de cota fixa no país. De acordo com o Ministério da Fazenda, mais de 25 mil sites ilegais foram bloqueados em 2025, em ação coordenada entre a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Mesmo com a ofensiva regulatória, o número de plataformas clandestinas cresceu 150% em relação a 2024, alcançando cerca de 25 mil operações não autorizadas. O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) estima que 51% das apostas online realizadas no Brasil ainda ocorrem na ilegalidade.
A estimativa de R$ 14 bilhões evidencia a dimensão do desafio enfrentado pelo governo para coibir práticas não reguladas e garantir a arrecadação tributária proveniente do setor.
Receita oficial e fiscalização do Ministério da Fazenda
No mesmo período, o mercado regulado de apostas e jogos online registrou uma receita bruta de R$ 37 bilhões, segundo dados da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA). As empresas legalizadas recolheram R$ 9,95 bilhões em tributos federais, incluindo IRPJ, CSLL e PIS/Cofins, além de R$ 4,5 bilhões em destinações legais previstas pela legislação.
O Ministério da Fazenda destacou ainda que 54 instituições financeiras e de pagamento reportaram à SPA 1.687 transações suspeitas de envio de recursos para empresas ilegais, resultando no fechamento de 550 contas bancárias.
Esses dados reforçam a diferença entre o mercado formal e o paralelo, e o impacto financeiro causado pelas operações não regulamentadas. A SPA ressaltou que o acompanhamento de movimentações financeiras e a integração com órgãos de fiscalização são fundamentais para reduzir o fluxo de capital destinado a sites ilegais.
Jogos de cassino lideram popularidade entre brasileiros
Entre as modalidades mais buscadas pelos apostadores, os jogos de cassino parecem ter destaque em algumas plataformas, inclusive em sites licenciados. De acordo com o relatório de dezembro de 2025 da KTO, as categorias de slots concentraram 93,55% das rodadas, seguidas pelos Crash Games (3,68%) e Roletas (0,59%).
Os títulos mais populares incluíram Touro Sortudo (41,14% de popularidade), Fortune Tiger (35,42%) e Fortune Rabbit (30,79%), consolidando a predominância dos jogos de slots entre os usuários. No segmento de cassino ao vivo, a Roleta KTO e o Bac Bo estiveram entre os mais acessados, com taxas de popularidade superiores a 3%.
O relatório da KTO também indicou que provedores como PG Soft e Pragmatic Play responderam por mais de 70% das rodadas registradas, refletindo o crescimento dos jogos de cassino dentro do mercado regulado e o avanço da preferência dos brasileiros por essa categoria.
15% das transações com Pix envolvem apostas
O sistema Pix consolidou-se como principal meio de pagamento das plataformas de apostas no Brasil. Estudo da consultoria GMattos apontou que, apenas no primeiro semestre de 2025, 15% das transações com Pix de pessoas para empresas foram direcionadas a casas de apostas.
A regulamentação do Ministério da Fazenda, que restringe o uso de cartões de crédito e criptoativos em apostas online, contribuiu para o fortalecimento do Pix como meio seguro e rastreável. Além disso, 13,5% das transações de empresas para pessoas também ocorreram por meio do sistema instantâneo.
A junção entre o crescimento das apostas esportivas e dos jogos de cassino ajuda a explicar a expressiva presença do setor nas operações financeiras do país. Com a expansão do mercado formal e o avanço das ações de fiscalização, o Ministério da Fazenda espera reduzir significativamente o peso da economia paralela das apostas em 2026.