• Quinta-feira, 12 de Dezembro de 2019
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A mágica por trás dos filmes de Wes Anderson

Eu gosto de acreditar que Wes Anderson é um mago do cinema. Isso porque seus filmes são únicos e refletem a peculiaridade do diretor através de histórias não convencionais e inteiramente originais, de personagens excêntricos e tramas que parecem ter saído de um sonho – daqueles que temos quando dormimos mesmo. São essas singularidades presentes nas obras de Anderson que me fizeram apaixonar pelo seu trabalho desde o primeiro que assisti, Moonrise Kingdom de 2012. Pra mim, ele é o combo completo do que faz um cineasta de qualidade, Wes consegue acertar onde muitos outros cineastas falham ao contar histórias originais de forma bastante original. Seus filmes contam histórias como qualquer outro, mas sem tentar nos dizer como sentir ou o que pensar, seus diálogos são excepcionais, rápidos e algumas vezes até difíceis de acompanhar e nem me deixe começar a falar sobre sua estética visual (ainda). Anderson é uma de minhas maiores referências cinematográficas e um dos diretores com quem mais me identifico artisticamente, seja através de sua estética monocromática e simétrica ou seus roteiros lindos e profundos. Inspirada por alguns de seus filmes, resolvi escrever essa coluna em atos, só pra você já ir entrando na vibe de Wes Anderson.

ATO I

MICROUNIVERSO

A direção de arte é a primeira coisa que notamos nos filmes de Wes, a cada trabalho um microuniverso focado na direção de arte é criado, e de certa forma, o que ele acaba criando é uma espécie de casa de bonecas humana com cenários planejados para funcionar dentro de sua fotografia detalhada e perfeitamente simétrica. Todos esses detalhes da arte (objetos, cenários e figurinos), definem suas histórias e aprofundam a personalidade de seus personagens. Então, para combinar com a já detalhada escolha de figurinos, Wes gosta de construir sets que lembrem uma realidade teatral, parcialmente por conta da fotografia e parcialmente porque ajuda os atores durante as cenas, (e parcialmente também porque é absolutamente legal). Anderson praticamente cria um universo inteiro para que possa brincar, já que todos os seus trabalhos representam de alguma forma sua própria personalidade. O que nos leva ao segundo ato.

ATO II

ORIGINALIDADE

Todos os roteiros de seus 9 longa metragens foram escritos por Anderson com a colaboração de uma outra pessoa (sempre algum amigo seu), e como ele mesmo cria as histórias que dirige, ele acaba se inserindo, mesmo que às vezes sem querer, em seus filmes. Isso é algo bem importante já que por ele idealizar suas histórias do zero, é ele mesmo quem acaba criando todo o universo presente naquele filme desde a concepção da ideia no papel, o que apenas reforça seu talento como cineasta. A forma de escrever de Wes também é bastante única e seus diálogos são bem distintos e excêntricos com falas muitas vezes rápidas, bem escritas e que dizem tudo o que precisa ser dito, Anderson não é de esconder partes da história do espectador na cara dura. Suas tramas são repletas de similaridades entre elas ao mesmo tempo que completamente diferentes umas das outras. Essa junção de coisas acaba exigindo um pouco além de seus atores que são sempre escolhidos a dedo. A importância da atuação é tanta que uma das várias marcas registradas do diretor é o quanto ele gosta de trabalhar com os mesmos atores.

  

 

ATO III

CRIANÇAS AGEM COMO ADULTOS (E VICE VERSA)

Aprofundando um pouco em seus roteiros, é importante voltar a falar de seus personagens. Eu amo o quanto Anderson gosta de nos mostrar com clareza a personalidade única de cada pessoa presente em suas histórias. Wes já falou que Charles Shulz (criador da série Peanuts e de Charlie Brown e Snoopy) tem uma influência significante em seu trabalho. Muitos críticos já perceberam que Charlie Brown possui uma influência direta nos personagens infantis de seus filmes, como a forma com que eles falam e pensam como se fossem adultos muito bem-educados. Já os adultos tratam as crianças como iguais ou até superiores a eles. Então justamente por esse ser um universo em que crianças agem como adultos, os adultos tendem a agir como crianças.

ATO IV

FOTOGRAFIA E PALETA DE CORES

Como eu já mencionei acima, a fotografia de Wes é detalhadamente planejada em cada um de seus planos porque a simetria das coisas é um dos fatores mais importantes e marcantes em todos os seus filmes. Além da simetria dos cenários, o elenco está constantemente no centro da tela. É marcante também sua preferência por lentes mais abertas, planos longos e closes aproximados de personagens ou objetos. Então, para um diretor tão preocupado com cada detalhe de seu filme, é esperado que ele crie uma conexão direta entre todos os setores de seu filme, e o que completa a sua fotografia perfeita é a paleta de cores. Da mesma forma que cada cena é planejada detalhadamente para a fotografia o mesmo vale para as cores presentes nelas, que ajudam a contar a história, além de dar o tom de cada cena e deixar seus filmes ainda mais bonitos. Nem vou falar muito das paletas porque as imagens acima dizem o suficiente.

ATO V

DIREÇÃO AUTORAL

Como a maioria dos diretores autorais, Wes trabalha com um orçamento mais reduzido. O que acontece em seu caso é que é justamente isso que o faz pensar nas formas mais criativas e originais de produzir seus filmes e que ele utilize de técnicas antigas do cinema em muitas cenas. Parte de toda originalidade de seus filmes é graças à cabeça criativa de um diretor que consegue encontrar as melhores a mais inesperadas soluções possíveis para tornar seus filmes memoráveis como um todo, como completas obras-primas do cinema.

Eu vou deixar aqui uma lista com todos os filmes de Wes, porque todos valem a pena serem assistidos.

Pura Adrenalina (Bottle Rocket – 1996)

Três É Demais (Rushmore – 1998)

Os Excêntricos Tenenbaums (The Royal Tenenbaums – 2001)

A Vida Aquática Com Steve Zissou (The Life Aquatic with Steve Zissou – 2004)

Viagem A Darjeeling (The Darjeeling Limited – 2007)

O Fantástico Sr. Raposo (Fantastic Mr. Fox – 2009)

Moonrise Kingdom – 2012

O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel – 2014)

Ilha De Cachorros (Isle of Dogs – 2018)

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