O paratleta Tiago Espelocin sofreu um acidente de carro em 2013, que o deixou com uma deficiência e hoje, sua perna direita só dobra 2% do arco de movimento esperado. Após uma reabilitação dolorosa e um episódio de depressão, com o apoio de sua família, ele encontrou no jiu-jitsu a força para seguir em frente.
Era só um treino, para passar o tempo e relembrar sua vida de antes do acidente, quando já praticava o esporte, mas o jiu-jitsu se tornou uma paixão que rendeu muitos frutos. Além de retomar o controle sobre sua vida, com os treinos, Tiago se transformou em um grande competidor, medalhista e promessa para Santa Catarina. Hoje a região sul do país tem apenas dois paratletas do jiu-jitsu, e Tiago é um deles.
Ele acumula nada menos do que quatro medalhas de ouro no Grand Slam Rio/2019, Pan Americano, Abu Dhad Pro Tour, Half Guarde e duas medalhas de prata no Brasileiro e no Rio Challenge.

Sobre ser um atleta de parajiujitsu, Tiago declarou ao Portal Uaau que “a palavra vitimismo não deve gerar na nossa mente, ele não se encaixa na minha vida. Eu resolvi ser um campeão tanto no tatame quanto na vida.”
Ele ainda relata as alegrias e dificuldades da adaptação “No começo é difícil, você sente muita dor, mas tinha tanta gente torcendo por mim, acreditando em mim. Hoje o jiu-jitsu é uma paixão. Gerei um amor muito grande por ele. Apesar de eu ter uma equipe envolvida no meu rendimento, sei que para vencer só dependo de mim”.
Os treinos são puxados e Tiago conta com a Academia Rilion Grace, a personal trainer Paula Bragança, o professor Cleberson Ribeiro, colegas de treino e o patrocínio e apoio incondicional da Touro Brasil e da Half Human. Para completar, uma alimentação regrada e uma vida saudável. “Teu corpo te dá o que tu precisa.” Complementa Tiago.
Dia cinco de junho, nosso maior representante estará em Brusque e dia 19 em Gramado – RS, para as a classificatória que acontecerá na Califórnia. “Quero trazer a medalha para casa, é meu sonho.”
Seus planos para o futuro ainda incluem projetos sociais voltados para crianças, para que elas não só aprendam o jiu-jitsu, mas que também tenham condições de terem seu quimono.
Por fim, Tiago Espelocin deixa importantes lições: “A resiliência me mostrou que eu era capaz, que eu poderia ser um campeão tanto dentro quanto fora. As pessoas negativas não irão me acompanhar. Vencer e seguir em frente é melhor exemplo que posso dar para minha família.”
Fonte: Potyra Pereira